Nas ruas de várias cidades do nosso país, cada sexta-feira, perambulam milhares de idosos e mendigos pedindo o pão de sobrevivência.
A que se deve que em cinquenta anos não conseguimos alimentar cerca de 33 milhões de moçambicanos?
As terras férteis e com maior número da população que mora na área rural, por que as políticas de desenvolvimento rural beneficiam mais algumas pessoas que têm emprego e moram nos centros urbanos?
Em breves passeios nas aldeias de todo país, encontramos homens e mulheres com maior probabilidade de perda de esperança.
Aliás, os pobres camponeses ainda não perderam a esperança porque pensam que Deus os criou para viverem na miséria.
No entanto, o sonho de um dia conseguir, no mínimo, três refeições por dia, de dormir numa casa melhorada, de ter um centro de saúde com bons profissionais e bons medicamentos, de ver erguida uma escola melhorada e com professores motivados e bem remunerados, tudo isso está aos poucos sendo sepultado. Não é fácil ser da aldeia e viver na pobreza.
Haveria culpa de alguma divindade como se estivesse com problemas dos seus próprios filhos?
Há muitas riquezas, do Rovuma ao Maputo, do Zumbo ao Índico. Qual é o destino dessas riquezas? A quem pertence e quem se beneficia de todos os bens que Moçambique possui?
Quais são as atuais formas de impulsionar o desenvolvimento do país?
Por que cada ano, de outubro até fevereiro, muitas famílias passam necessidades básicas, crianças morrem de fome e não água potável para a população?
Por que os programas de alimentação e nutrição não são exequíveis e continuam sendo sonhos noturnos que se tornaram pesadelos?
Por que um funcionário do Estado, para criar mínimas condições de vida da sua família, ainda deve investir em machambas para obter alimentos ou investir em negócios para alavancar o seu salário?
A liberdade que queremos, nos próximos anos: gostaríamos de ver jovens livres manifestando pacificamente nas ruas.
A justiça que queremos, nos próximos anos: gostaríamos de ver idosos passeando de “chapa cem” para usufruir a beleza das cidades e não correndo o risco de serem atropelados quando vão às ruas em busca de sobrevivência.
A paz que queremos, nos próximos anos: gostaríamos de viajar em todos os cantos de Moçambique, de manhã, à tarde e à noite sem escolta militar, sem medo e sem insurgentes armados.
A paz que queremos, nos próximos anos: olhar na outra pessoa, no outro como um irmão e não um inimigo pelo simples fato de ser de outra região, de outra etnia, de outro partido, de outra religião e de outra classe social.
A justiça que queremos, nos próximos anos: ver os bens de Moçambique distribuídos equitativamente e não acumulados numa única elite.
A justiça que queremos, nos próximos anos: gostaríamos de ver concursos de emprego abertos para todos, cujo princípio é a meritocracia e não com vagas e requisitos definidos nos gabinetes onde anunciam o emprego para cumprir com os protocolos.
O caminho dos próximos cinquenta anos está aberto, todavia, ninguém coloque os obstáculos para o bem do povo moçambicano.
Acreditamos que o país terá dias melhores desde que haja vontade e empenho de cada moçambicano.
Gratidão a todos os homens e mulheres que lutam por um Moçambique melhor e incansavelmente buscam soluções.
Distante, mas ao mesmo tempo próximo através de reflexões que é um dos meios de comemorar a independência da nossa amada nação.
Continuação de boas festas porque ainda estamos a celebrar o Jubileu de Ouro.
Que cada moçambicano se torne homem e mulher de ouro.
Servo inútil,
Pe. Kwiriwi, CP
