O músico moçambicano Fermon Mondlane diz ter sido surpreendido pela retirada da sua música “Xitsungu”, com participação de Stewart Sukuma, do concurso NGOMA Moçambique, depois de a obra ter sido aceite pela organização e, segundo o artista, cumprir os requisitos previstos no regulamento.
Numa mensagem dirigida ao público, Fermon afirma desconhecer as razões que terão levado à retirada da música e questiona a decisão da organização do concurso.
“Xitsungu”, explica o artista, procura retratar aquilo que considera ser o “grito de socorro de um povo”, assumindo uma dimensão social e de intervenção através da música.
Fermon defende que a produção artística não deve ficar limitada a temas relacionados com amor, relações ou sexualidade, considerando que os músicos também podem abordar problemas sociais e dar visibilidade às preocupações das comunidades.
O artista manifesta, por isso, desagrado com a alegada exclusão da obra e defende que, num concurso de dimensão nacional, as diferentes propostas musicais deveriam ter oportunidade de chegar ao público, cabendo posteriormente aos espectadores decidir através do voto.
Fermon pede ainda transparência e igualdade de tratamento entre os concorrentes, questionando a eventual existência de favoritismo ou influência externa nas decisões relacionadas com a selecção das músicas.
A polémica ganha particular interesse devido ao próprio significado atribuído à expressão “Xitsungu”. Segundo o relato apresentado pelo artista, o termo terá surgido no período pós-eleitoral, depois de um menor de idade ter sido interpelado por um repórter enquanto transportava uma embalagem de “chips”, num contexto em que estaria relacionado com a vandalização de uma loja.
A versão sobre a origem da expressão, contudo, deverá ser confrontada com outras fontes antes de ser apresentada como facto estabelecido.
Até ao momento, nesta versão dos acontecimentos, não é apresentada uma explicação pública da organização do NGOMA Moçambique sobre as razões que terão levado à retirada da música.
A eventual resposta da organização será importante para esclarecer se a exclusão resultou de uma questão regulamentar, técnica, editorial ou de qualquer outro fundamento previsto nas regras do concurso.
“É tudo pela cultura”, conclui Fermon Mondlane.

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