Opiniao

Beira é “wawa”

Por Edwin Hounnou

0 termo “wawa” está em voga entre os beirenses. Vem escrito em todo o lado. Adultos e crianças dizem que a sua cidade é “wawa”. “Wawa” significa forte, resiliente, determinado e imbatível e pronto para o que der e vier. Na verdade, a gente da Beira, desde os tempos que já se vão sempre se orgulhou de si próprio.A verticalidade da Beira nunca vergou perante o regime colonial. Mesmo perante as fantoche das eleitoralistas do regime colonial nunca passou. António Salazar e mais tarde Marcelo Caetano não conseguiram votos para se proclamarem vencedores nas terras do Chiveve. Resiste aos constantes ciclones, chuvas torrenciais que deixam a urbe devastada. “Beira é caminho do vento?” – canta e dança a sua gente, enquanto remove os destroços do seu caminho.A Cidade da Beira demonstrou, mais uma vez, nas festividades do Dia 20 de Agosto que é, politicamente madura, à altura dos desafios que tem pela frente e não está apavorado de medo de ninguém. Não precisa de muletas para se levantar, pensar e agir. Na Praça do Município, vimos grupos de partidos políticos como MDM, que governa a Cidade, Frelimo, ANAMOLA e PODEMOS a desfilarem, passando a frente da tribuna, cantando e dançando, numa convivência tranquila e pacífica.

Ninguém se sentiu ameaçado pela presença do outro pelo facto de ser diferente. Aquilo que aconteceu em Quelimane, na Beira não houve. Os que quiseram cantar, o fizeram. Os que quiseram marchar, marcharam. Nenhum polícia foi mandado a disparar ou para lançar granadas de gás lacrimogéneo. Vimos pessoas, de crenças políticas diferentes, a viverem a democracia, sem tipo de violência ou intimidações.

É tempo de calar as armas. Os políticos que se socorrem das armas para governarem, não têm futuro. Estão a minar o país de todos nós. O colono oprimiu, disparou e matou, porém acabou saindo às corridas. Isso deveria servir de lição dos que nos governam. Muitos ainda pensam que o povo têm medo do fogo das armas. Chegará o momento em que o gás das granadas não neutralizará a ninguém. Governar com justiça e discernimento é melhor que se impor pelas armas.

Estamos independentes há mais de 50 anos, mas muitos continuam a pensar que o caminho a seguir é tracejado por balas. Amanhã pode ser tarde para corrigir isso. Os beirenses têm estado a ensinar que, na sua urbe, há espaço para cada um pensar diferente e fazer política diferente. A violência não deve o caminho a seguir.

Pessoas de mãos limpas não se matam por cada um pensar diferente por não terem nada a esconder nos sovacos. O medo leva à violência e a violência gera violência e discriminação. Os que cantam que “quem não nosso, o problema é dele” revelam um alto grau de violência e, em Moçambique, está edificada uma sociedade baseada na violência. Fomos sendo ensinados que “quem não é connosco, é contra nós “ e isso é um espiral da violência tomada como política de Estado.

Não nos admiramos pelos momentos de violência por que passamos desde que chegámos à independência. Nunca soubemos manter a paz e tranquilidade e a nossa linguagem está pesada de violência e os discursos oficiais são bastante elucidativos que a violência está no DNA de alguns.

A Beira já deu o pontapé de saída. Que continuem os outros jogando a bola para frente. Governar é fazer o que o povo quer, como canta Lindomar Castilho. Governar não e nunca será pôr o trapo na boca do outro nem punir a quem pensar diferente. A violência perpetrada pela polícia, em Quelimane contra o ANAMOLA, e em Tete, contra os moto-taxistas, é inaceitável.

A Beira tem as portas abertas para aprender e anda na boca do povo por muito bons motivos que, apesar de mil e uma dificuldades, está a caminhar bem. Está a marchar ao ritmo do passo dos munícipes. O governante vive no coração dos governados se fizer o que o governado quer. Beira está a dar um bom exemplo.

Albano Carige está condenado a viver no coração dos beirenses por estar a fazer coisas boas para os beirenses que lhe cantam ao ouvido: Beira é wawa! (Moz24h)

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