Por Edwin Hounnou
0 termo “wawa” está em voga entre os beirenses. Vem escrito em todo o lado. Adultos e crianças dizem que a sua cidade é “wawa”. “Wawa” significa forte, resiliente, determinado e imbatível e pronto para o que der e vier. Na verdade, a gente da Beira, desde os tempos que já se vão sempre se orgulhou de si próprio.
Ninguém se sentiu ameaçado pela presença do outro pelo facto de ser diferente. Aquilo que aconteceu em Quelimane, na Beira não houve. Os que quiseram cantar, o fizeram. Os que quiseram marchar, marcharam. Nenhum polícia foi mandado a disparar ou para lançar granadas de gás lacrimogéneo. Vimos pessoas, de crenças políticas diferentes, a viverem a democracia, sem tipo de violência ou intimidações.
É tempo de calar as armas. Os políticos que se socorrem das armas para governarem, não têm futuro. Estão a minar o país de todos nós. O colono oprimiu, disparou e matou, porém acabou saindo às corridas. Isso deveria servir de lição dos que nos governam. Muitos ainda pensam que o povo têm medo do fogo das armas. Chegará o momento em que o gás das granadas não neutralizará a ninguém. Governar com justiça e discernimento é melhor que se impor pelas armas.
Estamos independentes há mais de 50 anos, mas muitos continuam a pensar que o caminho a seguir é tracejado por balas. Amanhã pode ser tarde para corrigir isso. Os beirenses têm estado a ensinar que, na sua urbe, há espaço para cada um pensar diferente e fazer política diferente. A violência não deve o caminho a seguir.
Pessoas de mãos limpas não se matam por cada um pensar diferente por não terem nada a esconder nos sovacos. O medo leva à violência e a violência gera violência e discriminação. Os que cantam que “quem não nosso, o problema é dele” revelam um alto grau de violência e, em Moçambique, está edificada uma sociedade baseada na violência. Fomos sendo ensinados que “quem não é connosco, é contra nós “ e isso é um espiral da violência tomada como política de Estado.
Não nos admiramos pelos momentos de violência por que passamos desde que chegámos à independência. Nunca soubemos manter a paz e tranquilidade e a nossa linguagem está pesada de violência e os discursos oficiais são bastante elucidativos que a violência está no DNA de alguns.
A Beira já deu o pontapé de saída. Que continuem os outros jogando a bola para frente. Governar é fazer o que o povo quer, como canta Lindomar Castilho. Governar não e nunca será pôr o trapo na boca do outro nem punir a quem pensar diferente. A violência perpetrada pela polícia, em Quelimane contra o ANAMOLA, e em Tete, contra os moto-taxistas, é inaceitável.
A Beira tem as portas abertas para aprender e anda na boca do povo por muito bons motivos que, apesar de mil e uma dificuldades, está a caminhar bem. Está a marchar ao ritmo do passo dos munícipes. O governante vive no coração dos governados se fizer o que o governado quer. Beira está a dar um bom exemplo.
Albano Carige está condenado a viver no coração dos beirenses por estar a fazer coisas boas para os beirenses que lhe cantam ao ouvido: Beira é wawa! (Moz24h)