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Chapo deixa raposa a vigiar a capoeira

Por Augusto Pelembe

 

 

Afinal, Daniel Chapo, nós te fizemos o quê?

Semana passada mandaste o povo arrancar o pavê dos quintais para plantar tomate, couve e alface, como se a crise do país fosse culpa de quem sonhou ter uma casa minimamente digna. Disseste que a solução para a fome está nas pequenas hortas familiares, enquanto o preço do combustível sobe, o transporte sufoca o cidadão e o desemprego continua a transformar licenciados em vendedores de recarga.

O povo ouviu. Uns revoltados, outros cansados, outros simplesmente resignados. Porque em Moçambique já nos habituaram a transformar sofrimento em disciplina patriótica.

Mas hoje ultrapassaste todos os limites da insensibilidade política.

Acordas Carmelita Rita Namashulua e colocas-lhe no cargo de Inspectora-Geral do Estado. Inspectora de quê? Da destruição da educação? Da banalização da incompetência? Da humilhação dos professores?

Estamos a falar da mesma dirigente que deixou o sector da educação mergulhado em erros vergonhosos nos livros escolares, estudantes sem qualidade de ensino, professores sem horas extras, escolas sem condições e um sistema onde a mediocridade passou a ser política pública. Um sector inteiro foi arrastado para o abismo e ninguém respondeu por nada.

Em qualquer país minimamente sério, gestores associados a tantos fracassos públicos sairiam pela porta pequena, responderiam perante instituições independentes e carregariam o peso político das suas decisões. Mas em Moçambique acontece o contrário: falhar virou currículo para promoção.

Aqui não se pune incompetência. Premia-se lealdade partidária.

E o mais revoltante é o simbolismo disto tudo. Enquanto o povo é aconselhado a sobreviver com hortas improvisadas nos quintais, a elite política continua a circular entre cargos como quem troca de gabinete numa festa privada do poder.

O cidadão aperta o cinto. Eles apertam apenas o nó da gravata antes da próxima tomada de posse.

E talvez seja aqui que muitos começam finalmente a compreender aquela frase infeliz dita pelo próprio Presidente: “eu sou a madeira e a FRELIMO é o carpinteiro.” Porque realmente parece que já não governa um homem com autonomia política, mas uma peça moldada por interesses internos, incapaz de romper com a cultura de reciclagem de figuras contestadas.

O problema é que enquanto o carpinteiro brinca de moldar madeira, é o povo quem continua a carregar o peso da casa a cair.

Moçambique não precisa de prémios para o fracasso. Precisa de responsabilidade. Precisa de respeito. Precisa que alguém governe com consciência do sofrimento real das pessoas e não como se o país fosse um eterno comité de recompensas partidárias.

Augusto dos Santos Pelembe in Facebook

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