Opiniao

A Responsabilidade da Informação e a Memória dos Factos: Um Esclarecimento Necessária ao Jornal Público

*Por: Grupo de Intelectuais e Académicos Panafricanistas da África Ocidental._*

 

 

Desejamos reafirmar, de forma categoricamente inequívoca, que as declarações de Suas Excelências Goodluck Jonathan e Filipe Nyusi se inserem, integralmente, nos mandatos institucionais que exerciam em Guiné-Bissau no contexto eleitoral de 2025.

O antigo Presidente Filipe Nyusi foi designado oficialmente Chefe da Missão de Observação Eleitoral da União Africana (UA).

O antigo Presidente Goodluck Jonathan atuou na qualidade de Chefe da Missão do West African Elders Forum (WAEF), no âmbito da monitorização pré-eleitoral e da observação internacional.

Ambos falaram com base em constatações diretas, realizadas no terreno, e dentro dos limites estritos das suas competências formais. Não há, pois, qualquer margem para imputar-lhes intenções políticas ou interpretações que extravasem os respetivos mandatos.

A Imprensa Responsável Tem Honrado a Democracia Bissau-Guineense E a verdade do Povo.

Ao contrário do que sugere o artigo publicado pelo jornal Público, a esmagadora maioria dos media — nacionais, regionais e internacionais — tem desempenhado um papel de extraordinária relevância.

Com rigor, coragem e zelo democrático, muitos jornalistas têm exposto violações, documentado abusos e contribuído decisivamente para que o mundo compreenda a gravidade da situação que se vive em Bissau.

É importante dizê-lo com toda a clareza:
sem a persistência da imprensa, grande parte dos factos hoje conhecidos permaneceria invisível ou deturpada.

Num contexto em que militares golpistas procuram monopolizar a narrativa pública, o jornalismo sério tem sido a principal linha de resistência democrática e a única ponte entre os cidadãos e a verdade factual. Razão da Expulsão da RTP, RTP África e Lusa. Já antecipado o Hoje.

Um Lembrete Necessário ao Jornal Público: Quem Perseguiu e Expulsou os Jornalistas?

Surpreende, por isso, que o Público publique um artigo baseado em formulações especulativas sobre alegadas posições institucionais da CEDEAO — formulações que não encontram suporte em qualquer documento, comunicação oficial ou deliberação pública da organização.

Mais grave ainda, a narrativa utilizada coincide, quase palavra por palavra, com a retórica propagada pelo ex-Presidente Umaro Sissoco Embaló, o mesmo que:

expulsou órgãos de comunicação social portugueses de Bissau,
ordenou — direta ou indiretamente — agressões e intimidações contra jornalistas,
e sob cuja administração o jornalista português Valdemir Araújo foi espancado em Bissau, num episódio que permanece até hoje sem responsabilização, como aliás, todas as torturas, desaparecimentos e mortes.

A memória institucional não pode ser seletiva.

A história recente, últimos seis anos, da Guiné-Bissau está marcada por ataques repetidos contra a liberdade de imprensa, perpetrados precisamente pelo regime cuja narrativa o artigo do Público inadvertidamente ecoa.

Recordar estes factos não é um exercício retórico; é uma obrigação ética.

A Informação Não Pode Ser Construída Sem Fontes Primárias

Atribuir à CEDEAO intenções que não constam de nenhuma fonte documental, num momento de elevada sensibilidade política, não é apenas um erro jornalístico: é uma contribuição involuntária para a desinformação e para a legitimação de discursos antidemocráticos. O Público é muito melhor do que isso.

A cobertura de processos eleitorais exige precisão, rigor e responsabilidade.

Ao negligenciar estes princípios, o Público compromete a qualidade da informação e introduz ruído numa conjuntura em que a clareza é vital.

O Dever Jornalístico é Para com os Factos — Não com Narrativas Políticas

O povo da Guiné-Bissau enfrenta hoje uma ameaça real à sua soberania democrática.

A imprensa — sobretudo a imprensa internacional — é chamada a desempenhar um papel histórico, sustentado em factos verificáveis, documentação autêntica e independência editorial.

Cabe aos media continuar a ser a linha da frente contra a manipulação, resistindo a qualquer tentativa de capturar ou distorcer o espaço público.

É por isso que saudamos os jornalistas que têm trabalhado com coragem e profissionalismo — e, simultaneamente, apelamos ao Público para que reencontre os padrões de rigor que sempre distinguiu o jornalismo português.

Numa altura tão crítica para a Guiné-Bissau, errar na análise não é apenas um equívoco.

Pode, involuntariamente, servir interesses que nada têm a ver com a verdade, com a democracia ou com a segurança dos cidadãos.

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