Por Tiago J.B. Paqueliua
É bem aventurado quem não se detém no caminho dos pecadores,
nem se assenta na roda dos escarnecedores.
(Salmo 1:1)
1. Prólogo
Moçambique, terra de promessas por cumprir, revisita uma página gasta: um opositor, armado de retórica messiânica, expõe a podridão que todo o povo já conhece, denuncia o traidor, brada justiça — mas tropeça no mesmo ciclo, repetindo o ritual de purificação de uma cabeça que não se lava.
Venâncio Mondlane (VM7) acusa Daniel Chapo de traição, mentira e inimizade para com o povo. Fá-lo como quem descobre o fogo: mas seu fogo é fósforo riscado em palha molhada — a história prova.
2. De Dlakhama à Venâncio: o ciclo de Sísifo
Afonso Dlakhama, desde 1992, foi engolido pela serpente da Amnistia, Desarmanento, Desmobilização e Reintegração como um ciclo de impunidade e ascendência ao status quo da classe dominante — sem reconciliação nem reforma.
A Renamo teve oportunidades de refundação institucional — mas aceitou migalhas destinadas aos que refilam sempre, mas se encharcam na mesma lama, proibidos de discernir que a Frelimo muda rostos — mas o regime mantém intacto o osso desde 1975, ou se quisermos ser verdadeiros, desde 1962.
Venâncio, na sua denúncia, escancara Chapo. Mas esquece — ou finge esquecer — que o problema não é Chapo. É o sistema, para não dizer a FRELIMO. É o trono que cria Chapos, Nyusis, Guebuzas, Chissanos, Samoras e Mondlanes, todos cooptáveis.
A ingenuidade de Venâncio não é apenas política: é estrutural. É a falta de visão para recusar o jogo e reinventar as regras.
3. Oposição ou Prolongamento do Sistema sob Outros Meios?
Há quem diga que a oposição moçambicana, no seu coração, não é oposição — é uma elite frustrada que sonha com assentos no banquete.
Por que razão Venâncio entraria no Conselho de Estado?
Por que aceitaria a farsa retórica da integração?
Por que quereria “assessorar”, “inspeccionar”, “aconselhar” o mesmo Estado que denuncia como inimigo?
É fome de legitimidade, ou fome literal — de salários, de carros, de escoltas?
A oposição — Podemos, Renamo, MDM, ND, Pahumo, AMUSSI, Pimo e outros — não demonstra uma moral pública centrada na fidelidade à Pátria.
Quem disse que só se serve à pátria ao lado da FRELIMO?
4. Um Assessor na Caverna de Platão
Um cidadão íntegro, eticamente radicalizado pela verdade, pode ser assessor de um sistema podre? Não.
Não se serve a luz quando se mora na caverna. João Calvino, escrevendo sobre o “Ofício do Magistrado”, advertia que o governante — ou seu conselheiro — é ministro de Deus para o bem público (Romanos 13). Se o trono é injusto, quem se senta ao lado compactua.
Assessor, Conselheiro, Inspector-Geral? É maquiagem.
Um homem de bem, se não pode reformar o trono, deve denunciar, resistir e, se necessário, retirar-se — como fez João Batista, que não aceitou banquetes na corte de Herodes, mas preferiu o deserto, a cabeça degolada, do que vender a verdade.
5. Teopolítica: Servir a Dois Ministérios?
Teopoliticamente, Venâncio erra duplamente. Não é só o de trocar o ministério espiritual pelo ministério político — erro comum de muitos, como o fez Uria T. Sonangol, Padre Mateus Pinto Gwenjere, Padre Daniel Ortega, enfim.
O maior equívoco de Venâncio Mondlane é querer ser simultaneamente ministro do evangelho e ministro político, como se fosse biblicamente correcto, principalmente no contexto não teocrático onde fica clara a exortação
de Jesus Cristo de que: “Ninguém pode servir a dois senhores.” (Mateus 6:24).
Ao denunciar Chapo como traidor e mentiroso, Venâncio reconhece a podridão — mas se contradiz quando, mesmo assim, aceita sentar-se na mesma roda.
O fiel ministro do Evangelho, deve detestar o assento dos escarnecedores (Salmo 1), ainda que pago com títulos, cargos e poltronas palacianas.
O conceituado apóstolo Paulo separava claramente o ofício pastoral do secular (1 Timóteo 3): quem governa a Casa de Deus não deve confundir-se com quem governa o Estado secular. Venâncio, ao denunciar o traidor, ergue-se como profeta — mas, ao mesmo tempo, insinua que aceitará ser assessor do faraó.
Eis o paradoxo que corrói sua moralidade política.
6. Lavar a cabeça do burro: um adágio africano
O provérbio é cruel, mas instrutivo: “Lavar a cabeça do burro é perder água, tempo e sabão.” Assim é tentar moralizar a cleptocracia com discursos virais no Facebook que para bons entendedores são insípidos, pois, expor Chapo — e na semana seguinte, quem sabe, tomar assento no mesmo sistema, como mínimo revela ingenuidade infantil para não dizer a imbecilidade de repetir a tolice de esperar resultado diferente.
7. Teopolítica: Fidelidade, Resistência e Reforma
Uma oposição que se proclame popular e ética deve entender o amor à Pátria, como espaço de serviço, não de espólio, e o respeito à Família como base moral do cidadão incorruptível.
Uma bom opositor não se senta à mesa dos opressores: derruba-a ou a substitui. Como ensinava Agostinho de Hipona: “Um reino sem justiça é apenas um bando de ladrões.” Venâncio, se fosse sério, recusaria convites palacianos — e organizaria um movimento de base, educando o povo para a vigilância permanente.
8. Conclusão: Da ingenuidade para o projeto
Se Venâncio quiser fazer história, precisa primeiro abandonar a ilusão de que se muda o sistema de dentro, quando o dentro é uma teia de interesses vorazes.
Também deixe de ser pastor devido a incompatibilidade teopoliticamente insanável.
Venâncio precisa decidir quanto cedo qual ministério serve: o espiritual ou o político — e assumir as consequências de cada escolha. Tentar ser pastor do povo e assessor do tirano é trair ambos.
Enquanto isso não acontecer, a ingenuidade de Venâncio será o epitáfio da oposição.
E Chapo? Chapo é só mais um rosto do sistema — lavado ou não, está tatuado pelo seu amo, a FRELIMO — Frente de Libertação de Moçambique.
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