Sociedade

VENENOSO APLAUSO À IGREJA CATÓLICA

Por Tiago J.B. Paqueliua

 

De acordo com a Rádio Moçambique (RM), o ex. Presidente da FRELIMO e da República de Moçambique, Filipe Jacinto
Nyusi, enalteceu o papel da Igreja Católica nos ganhos alcançados durante os 50 anos de Independência, no passado domingo, em Montepuez — terra onde a dor de Cabo Delgado lateja desde 2017.

Segundo Nyusi, a Igreja Católica é pilar dos “ganhos” da independência nacional.

Por uma consciência cristã, cidadã e profética — entre o Altar e a Polis,
se discerne que o aplauso fácil de Nyusi é extremamente venenoso, por estar carregado de ironia histórica, pois:

👉🏼Se há testemunho que desmente essa narrativa sedutora é o de Dom Luiz Fernando Lisboa, antigo Bispo de Pemba de voz profética e incómoda ao regime, só porque nunca deixou de denunciar a dimensão real da crise humanitária em Cabo Delgado: aldeias queimadas, famílias deslocadas, tráfico de influências na gestão da ajuda humanitária e uma indiferença do Estado face à insegurança que alimenta o desespero até os dias atuais.

👉🏼Pelo seu testemunho incómodo, Lisboa foi alvo de ameaças — não de terroristas Jihadistas, mas de bajuladores e assassinos, entre os quais jornalistas, académicos e outros sectores ao serviço do poder. Para o proteger, o Papa Francisco o transferiu para o Brasil, nomeando-o Arcebispo de Cachoeiro de Itapemirim, num gesto pastoral que foi, na prática, uma evacuação diplomática.

👉🏼Ao louvar agora a Igreja sem reconhecer este contraditório, Nyusi faz o que o poder sempre faz: abraça o altar como vitrina moral enquanto defeca sobre ele perseguindo aqueles que o altar eleva à condição de profetas.

👉🏼Para o Partido-Estado, a Igreja Católica é útil enquanto distribui caridade, mas torna-se incómoda, quando em nome da verdade denuncia a injustiça.

👉🏼Para a consciência teopolítica — lúcida, apologética e catedrática — esta é uma clara lição: a Igreja não deve fazer-se de braço caritativo dum Estado falhado. É chamada a ser consciência crítica, voz incómoda, coluna da verdade incómoda a qualquer prevaricador.

👉🏼Se há algo que o povo de Cabo Delgado precisa, é de mais Luiz Lisboas — e menos incenso de cortesia ao poder.

👉🏼Que a voz crítica de Dom Luiz Fernando Lisboa permaneça viva como lembrete, não ofuscada por um louvor fingido.

Nada mata a coragem pastoral de quem prefere arriscar a vida para gritar a verdade num campo de terror, fome e silêncio assustador — que forçam a todo o cidadão sério a lembrar o Rev. Martin Luther King Jr. na sua máxima: “O que me assusta não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons.”

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