Por Quinton Nicuete
Um grupo de militares anunciou, esta quarta-feira, que assumiu o controlo total da Guiné-Bissau, destituindo o Presidente da República e suspendo o processo eleitoral em curso. A declaração, transmitida pela Televisão Pública da Guiné-Bissau, marcou a rutura com a ordem política vigente, incluindo o encerramento imediato das fronteiras terrestres, marítimas e aéreas.
Segundo o anúncio, o movimento foi liderado pelo chamado Alto Comando Militar para a Restauração de Segurança Nacional e Ordem Pública, que justificou a tomada do poder com a alegada descoberta de um plano de desestabilização nacional. O porta-voz do comando, Dinis N’tchama, afirmou que a operação teria sido organizada por alguns políticos nacionais, com participação de barões da droga nacionais e estrangeiros, e que envolveria tentativas de manipulação dos resultados eleitorais.
De acordo com o comunicado militar, o Serviço de Informação do Estado terá detetado um depósito de armamento de guerra ligado ao alegado plano. Face a esta situação, os militares afirmam ter agido para proteger a integridade territorial, a paz civil e a segurança nacional, considerando que o país enfrentava uma emergência que colocava em risco a estabilidade institucional.
Entre as medidas anunciadas, o Alto Comando Militar determinou a destituição imediata do Presidente da República, o encerramento de todas as instituições públicas até novas ordens e a suspensão das atividades de todos os órgãos de comunicação social. O grupo militar ordenou ainda a suspensão total do processo eleitoral e o fecho do espaço aéreo, marítimo e das fronteiras terrestres.
Os militares decretaram também recolher obrigatório das 21h às 6h, medida que permanecerá em vigor até à reposição das condições necessárias para o retorno à normalidade constitucional. Durante este período, o Alto Comando Militar exercerá diretamente todos os poderes do Estado, assumindo-se como autoridade provisória.
No final do comunicado, datado de 26 de novembro de 2025, as chefias militares apelaram à calma e à colaboração da população, pedindo compreensão face às “graves circunstâncias” que, segundo afirmam, motivaram a intervenção. O grupo reforça que o objetivo é restaurar a ordem e garantir o regresso ao funcionamento constitucional do país. Moz24h
