Por Estacio Valoi
Estávamos em 2022 a radio boca assim como os outros órgão de informação veiculavam a noticia que referia que estava interrompida a circulação rodoviária entre Moatize e Tete numa das províncias centrais de Moçambique que devido a inundações tinham não apenas varrido parte da ponte sobre o rio Rovubwe, causado mortes numa tempestade tropical denominada Ana que também desalojaram mais de 300 famílias e inundaram vários bairros da cidade no centro do país.

Tete nunca antes vivera uma situação idêntica ate uma comissão multissectorial fora criada para apoiar no resgate das pessoas. Por outro lado o Rovubwe também tinha engolido uma boa parte do hotel Paraíso ate os crocodilos do Zambeze pelo Rovubwe entraram no Paraíso, menos os hipopótamos. Paraíso ‘e um daqueles sítios do qual não nos esquecemos. Também fora varrido pelas aguas do rio.
O Paraíso, sua explanada , sentada sobre o rio Revubwe de olhos para a magnifica ponte majestática , de olhos que sentam sobre Moatize e findam na linha do horizonte atravessando o rio a outra margem. No fundo do rio, o peixe Pende, crocodilos, hipopótamos passeiam sua classe, uns acabam no prato do Paraíso a mistura de outros ingredientes, aromas locais! De uma construção rustica, tradicional local, de uma estrutura de madeira pilares que separam a sua estrutura da base do nível do rio por ai a uma altura de quase 3 metros, no dia em que la de cima caiu muita agua a mistura adas comportas abertas, toada a explanada foi bebida pela agua.

Isto ‘e, o rio e o gajo la de cima beberam o sitio todo, naufragaram todos os sofás, cadeiras, panos, mesas, ate as garrafas. As vazias fizerem questão de as encher. O Paraíso Misterioso, misteriosamente tinha sido levado, desaparecera no fundo do Rovubwe, arrastado para outras paragens. A explanada que dorme, acorda, senta sobre o rio tinha sido levada, a água subira os três metros, atravessara a estrada ‘Paraíso” adentro, por lá dormiu, acordou durante uns bons dias até que decidisse ir-se levando suas águas , outras queimadas pelo sol.
Mas foi ainda este ano, quando la voltei. Ainda dormia o sol quando acordei e pus os pés sobre a estrada rumo a direção para a Zâmbia. Hora e meia mais tarde, voltava ao Paraíso mas antes a uns escassos metros, o Rio Rovubwe deixava transparecer uns olhos na sua superfície. Um hipopótamo e não dos pequenos, emergia.
Lembrei-me das conversas e pedalas com o Mael um dos proprietários de Paraíso, de como depois de ter tudo engolido pela água emergiu, renasceu. Mael um tipo, de cabeça meio retangular, rosto franzido, bochechudo, um metro e 60, uns 60 com umas poucas banhas espalhadas a cintura 34, 36 que vai as tentando queimar sempre que pode. Foi no Paraíso onde também onde exibimos o filme Mpandakua do realizador Emidio Jozine e na sua produção Estacio Valoi sobre o qual melhor que seja Dodina Machetzo, lá de Chirodzi na nossa casa na margem do rio Zambeze a contar-vos.

Por mim, fico e continuo no Paraíso misterioso a olhar para Mael , com aquele seu sorriso de esguelha, uma passagem rápida da sua Mãe e o mesmo diz“ esta é minha Mãe e esta minha Irma que esta com o outro Paraíso ”. Esta equipa que do mistério das profundezas das aguas do Rovubwe, trouxe a ribalta devolveu o “ Paraíso Misterioso”. Até amanhã Paraíso Misterioso.
