Saudações cordiais de paz e solenidade no âmbito do Jubileu de Ouro
Pretendemos despertar e lembrar a todos e a todas que a frase: independência ou morte, venceremos, não só tem uma relevância histórica, mas também é um apelo à atual geração, especialmente, de todos aqueles que nasceram depois da independência.
Independência ou morte, venceremos, são palavras pronunciadas pelo primeiro presidente de Moçambique independente, Samora Moisés Machel e demais camaradas pioneiros, vivos e mortos.
Independência ou morte, venceremos, é um grito de guerra ou de luta pela paz? Será que Machel e demais camaradas estavam cientes das implicações dessa frase face aos desafios que os guerrilheiros moçambicanos enfrentavam, mas continuavam a gritar: “a luta continua”?
Em qualquer missão que uma pessoa queira assumir e seguir em frente, não basta lutar, vencer e querer ver tempos melhores. Deve haver clareza e uma meta que se possa atingir.
Independência ou morte, venceremos, deve ser um grito de luta pela liberdade e bem-estar do povo moçambicano que não quer ver a história de Moçambique ser resumida somente por dias de guerra e de sofrimento.
Independência ou morte, venceremos, deve ser um grito de luta pela unidade; contudo, deve haver ousadia e persistência, pois nenhuma conquista aparece de bandeja para alegrar os covardes e cansados de lutar.
Independência ou morte, venceremos, deve ser um grito de luta pela democracia participativa. Todavia,
deve haver entrega e empenho porque não se abraça uma forma de governação, como a democracia, se não houver entrega e empenho nas reformas profundas do Estado, envolvendo toda a sociedade civil.
Independência ou morte, venceremos, deve ser um grito de luta pela paz efetiva. A paz almejada pelo povo moçambicano não é somente aquela do silêncio das armas, mas fundamentalmente da destruição das diferentes armas usadas para silenciar o povo.
Independência ou morte, venceremos, deve ser um grito de luta pela reconciliação nacional, mas para que haja reconciliação,
deve haver compromisso e coragem.
Muitas vezes percebemos que não há compromisso nem coragem quando os envolvidos não querem identificar a essência do mal.
Independência ou morte, venceremos, é um grito de luta pelo diálogo, escuta e compreensão. No entanto, para que haja um autêntico diálogo, as partes envolvidas devem sentar em pé de igualdade, sem prepotência nem arrogância. Por isso,
deve haver fidelidade e responsabilidade com vista a se alcançar os objetivos do diálogo.
Independência ou morte, venceremos, é um grito de luta pela moçambicanidade, mas para que se conquiste a esperada moçambicanidade, deve se resgatar todos os valores implícitos e explícitos para que o objetivo traçado não vá à falência.
Qual é objetivo traçado para os próximos cinco, dez ou mais anos depois da celebração dos cinquenta anos de independência?
Será que cada moçambicano e moçambicana sabe qual é a sua responsabilidade?
Continuaremos no silêncio aguardando os próximos cinquenta anos para celebrarmos o centenário da independência sem muitos avanços éticos e humanos?
Continuaremos nos culpando pelo fracasso sem nenhuma união para superarmos as divergências e tornar as nossas ideias convergentes?
Enquanto continuamos de costas viradas um do outro, o país continuará em declínio e todos seremos responsáveis por não deixar um espaço melhor para a futura geração.
Que o grito Independência ou morte, venceremos, seja de luta consciente e inteligente para todos ganharmos: a paz, fraternidade e construirmos um Estado democrático.
Servo inútil,
Pe. Kwiriwi, CP

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