Opiniao

Verdade, justiça e uma Investigação independente de garimpeiros artesanais mortos a tiro em Mogovolas

Devem ser adoptadas medidas imediatas que combinem verdade, responsabilização e reforma estrutural da governação mineira, com forte participação da sociedade civil e das comunidades afetadas.

Investigação independente e verdade

Criar de imediato uma comissão de inquérito independente, com participação de sociedade civil, ordens profissionais (advogados, médicos), igrejas e representantes das comunidades de Iuluti/Mogovolas, com mandato para apurar número real de mortos, circunstâncias e autores dos disparos.

Garantir acesso a provas (registos hospitalares, balística, comunicações policiais, depoimentos protegidos) e publicar um relatório público com as conclusões e recomendações em prazos definidos.

 

Controlo do uso da força e responsabilização

Suspender preventivamente e afastar de Mogovolas quaisquer elementos das forças de segurança suspeitos de envolvimento, até conclusão do inquérito, e remeter casos com indícios de crime ao Ministério Público.

Rever imediatamente as regras de engajamento e protocolos de uso da força em operações ligadas à mineração, alinhando-os com a Constituição, tratados de direitos humanos e Princípios Voluntários em Segurança e Direitos Humanos, já assumidos por Moçambique desde 2024.

 

Reformas urgentes na governação mineira

Obrigar a comissão interministerial já existente para o setor mineiro em Nampula a apresentar, em prazo curto, plano de trabalho, cronograma, metas e mecanismos de monitoria pública, com espaço formal para participação de organizações da sociedade civil e comunidades.

Mapear e reformar as relações formais e informais entre empresas mineiras e forças de segurança (públicas ou privadas), proibindo acordos que estimulem o uso abusivo da força e introduzindo cláusulas contratuais de respeito rigoroso pelos direitos humanos.

 

Devida diligência das empresas e mecanismos comunitários

Exigir que todas as empresas com licenças ou interesses em Mogovolas implementem processos de devida diligência em direitos humanos: avaliação contínua de riscos, planos de gestão de segurança, formação de guardas e protocolos de atuação com comunidades.

Criar, com participação ativa da sociedade civil, comités locais de diálogo e resolução de conflitos em áreas mineiras (com representantes de comunidades, jovens, mulheres, régulos, empresas e governo distrital), bem como mecanismos acessíveis de queixa e reparação para vítimas de abusos.

 

Garantias de não repetição e transparência

Tornar obrigatória a recolha e divulgação regular de dados sobre incidentes de segurança em áreas mineiras (feridos, mortos, operações policiais, queixas apresentadas e sanções aplicadas), permitindo escrutínio público contínuo.

Integrar, em políticas nacionais de mineração e segurança, as lições de Mogovolas, reforçando formação em direitos humanos para polícias, militares e guardas privados, e instituindo auditorias periódicas independentes às operações de segurança em todas as zonas de mineração artesanal e industrial.

https://moz24h.co.mz/garimpeiros-artesanais-mortos-a-tiro-em-mogovolas-exigem-verdade-justica-e-uma-investigacao-independente/

https://moz24h.co.mz/fatal-shootings-of-artisanal-miners-in-mogovolas-demand-an-independent-and-transparent-investigation/

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