Politica

Chapo e o álcool: soluções fáceis para problemas complexos da juventude moçambicana

 

Por Quinton Nicuete

Maputo viveu na manhã de hoje mais uma sessão de promessas presidenciais, desta vez centradas no combate à produção, venda e consumo de bebidas alcoólicas. O Presidente da República, Daniel Chapo, reuniu-se com líderes religiosos da cidade, garantindo medidas mais duras para “resgatar os valores morais e éticos” da juventude.

“Estamos a fazer a nossa parte em relação às bebidas alcoólicas, começando pelas nocivas à saúde pública. Paramos a emissão, mas estamos a trabalhar num decreto que tomará medidas mais duras do que parar simplesmente com a emissão”, disse Chapo, sublinhando que a sociedade tem colaborado positivamente.

Mas, enquanto o Chefe do Estado aponta o álcool como o principal inimigo da juventude, a realidade vai muito além das garrafas. Políticas públicas existem, programas sociais são criados e empresas públicas multiplicam-se, mas a implementação é quase sempre ineficaz. Projetos são trocados de um ano para outro, fundos desviados, e grande parte da população, especialmente os mais jovens, continua à margem.

A crítica que se impõe é clara: o consumo de álcool não é o único problema da juventude moçambicana. O verdadeiro desgaste está na falta de ética e transparência na administração pública, na corrupção, no roubo e no desvio de fundos que deveriam chegar a escolas, hospitais e infraestruturas sociais. Enquanto políticas e decretos se acumulam no papel, muitos jovens continuam a sofrer as consequências da má gestão, da pobreza e da falta de oportunidades.

Apontar o álcool como a causa principal da perda de valores é, no mínimo, uma simplificação perigosa. É esquecer que a verdadeira luta pela recuperação da juventude passa por combater os desvios de fundos, o nepotismo e a ineficiência do Estado, que diariamente privam os moçambicanos dos direitos básicos e alimentam a sensação de injustiça.

Enquanto Chapo promete medidas mais duras contra bares, lojas e produtores, a sociedade observa que sem reformas estruturais, fiscalização rigorosa e responsabilização de quem governa, a juventude continuará a ser vítima de problemas muito mais profundos do que o álcool. (Moz24h)

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