Economia Sociedade

Três detidos após denúncia de vandalização do sistema de água que abastece Pemba

Por Quinton Nicuete

 

 

Três indivíduos foram detidos em Cabo Delgado, indiciados pela vandalização do principal sistema de captação de água do Ponto A, no distrito de Metuge, infra-estrutura estratégica que abastece a cidade de Pemba. As detenções ocorreram na sequência directa da visita do governador da província, Valige Tauabo, ao local, onde foram denunciados prejuízos avaliados em cerca de seis milhões de meticais resultantes de actos de sabotagem.

A denúncia foi feita pelo director provincial do Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG), Eugénio Matsinhe, durante a visita governamental ao sistema, localizado na zona de Pulo, aldeia Saul. Poucos dias depois, a PRM avançou com acções que culminaram na detenção de três suspeitos, actualmente sob custódia policial.

Segundo o FIPAG, os actos de vandalização incluíram a remoção de cerca de 3,5 quilómetros de cabo subterrâneo do tipo VAV, vandalização de postos de transformação (PTs), disjuntores, quadros eléctricos e roubo de baterias que alimentam os furos de captação de água. Pelo menos 12 furos foram directamente afectados, tendo alguns PTs ficado totalmente inutilizados após a remoção das bobinas e drenagem do óleo.

De acordo com a Polícia da República de Moçambique (PRM), as detenções ocorreram após um dos suspeitos ter sido surpreendido na posse de material eléctrico furtado, alegadamente proveniente do sistema vandalizado, que seria transportado para a cidade de Pemba para fins de comercialização. Durante a apresentação pública, os indiciados prestaram declarações contraditórias, negando envolvimento directo ou apontando possíveis cumplicidades.

Um dos detidos afirmou que não participou directamente na vandalização, alegando que apenas recebeu cobre para vender como ferro-velho, a pedido de um conhecido. Disse ainda ter recebido parte do valor da venda, cerca de 13 mil meticais.

Outro suspeito negou qualquer envolvimento no crime e foi mais longe ao apontar uma eventual participação de agentes da polícia que guarnecem o local, enquanto o terceiro afirmou estar a ser injustamente acusado, rejeitando qualquer ligação aos actos de sabotagem.

Perante estas declarações, a PRM reconheceu que não está excluída a hipótese de envolvimento de membros da corporação, garantindo que o processo investigativo prossegue e que todos os implicados serão responsabilizados nos termos da lei.

Na ocasião da visita, o governador Valige Tauabo classificou os actos como sabotagem criminosa, sublinhando que os autores residem nas próprias comunidades. “Não são pessoas de fora. Vivem entre nós e sabotam um bem essencial à vida”, afirmou, prometendo tolerância zero e a apresentação pública dos responsáveis.

O FIPAG tem recorrido a soluções técnicas improvisadas, como a utilização de cabo forçado, para manter o abastecimento de água, enquanto decorrem os esforços para a reposição do material vandalizado. Apesar dos constrangimentos, a instituição assegura que o fornecimento de água tem sido mantido, graças à prontidão das equipas técnicas.

Segundo a PRM do Distrito de Metuge   ” um membro da Unidade de Intervenção Rapida (UIR) encontra-se detido na terceira Esquadra da Cidade Pemba que está envolvido nos actos de vandalizações do SAA.”

As autoridades garantem que a investigação prossegue para identificar outros envolvidos, incluindo eventuais redes de receptação de cobre, não estando excluída a possibilidade de responsabilidades internas. O caso reacende o debate sobre a fragilidade da segurança das infra-estruturas públicas e os elevados custos sociais da sua vandalização.

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