Para Stela Chongo Estamos Juntos!
Nas veias, o sangue dos Chongos flameja,
Raiz que não cede, nem dobra, nem fraqueja.
Voltaste, Selma, irmã de Stela Chongo,
Minha colega de carteira – tempo longo.
Jornalista, filha de antigos combatentes, mana,
Nascida um ano antes de mim, irmã-humana.
Mulher moçambicana, de alma clara,
Guardas no corpo a ancestralidade rara.
Mas dzukutam metais no teu sangue escondido:
Mercúrio, arsénico-veneno fingido.
Silêncio que fere, traiçoeiro e lento,
Semente da dor, disfarçada no vento.
Wilker Dias, também foi ferido,
Mas não calou, seguiu decidido.
Em Maputo, o grito rompeu a prisão,
Trazendo à luz mais uma agressão.
A quem convém silenciar o que arde?
Quem teme a luz, se esconde covarde.
Mas tua voz, Selma, queima e não cansa,
É chama que insiste, é fé que não dança.
“Nicht schweigen, nicht weichen”(Não calar, não recuar) mostraste sem medo.
Palavra de aço no tempo mais cedo.
“Não há silêncio que apague a verdade”-
Ecoas forte em cada canto do país.
Mesmo que o Estado negue e sufoque,
Mesmo que a noite venha e provoque,
Teu corpo resiste, teu nome persiste
Selma Inocência, a voz que não desiste.
–
por Ismael Miquidade
Hamburgo, 29.07.25
Cadernos de Poesia: “Faísca no Chão”
