Sociedade

Quem atira a primeira pedra?

Por Edwin Hounnou

 

Daniel Chapo (DC), Presidente do partido Frelimo disse, no poder desde que o país ascendeu à independência, em 1975, proferiu, em Chimoio, no encerramento da conferência de quadros da Frelimo, no dia 23 de Agosto, que os actos de corrupção, tráfico de drogas seriam combatidos, de forma enérgica e sem trégua.

O auditório bateu palmas e o ovacionou. Para alguns a pensarem que corrói o país seria, de facto, combatido enquanto, sorrindo de esguelha, diziam que aquilo não passava de um mero discurso de ocasião para animar os “capotados” pela violência da corrupção. Na nossa desilusão, aquilo não passa de mais um discurso.

Todos os dirigentes da Frelimo falaram da urgência de combater a corrupção, mas não passaram do discurso, devido a motivos como medo e compromissos diversos não permitiram que o combate à corrupção fosse efectivado.

Ninguém tem a coragem de atirar a primeira pedra por cada um deles se reflectir nesse pecado a que se propõem combater.

Conhecemos altos quadros que falaram de combate à corrupção e com datas para a denúncia pública dos seus nomes, foram ameaçados. Quando foram ameaçados, se esconderam e reapareceram como quadros de destaque do poder.

O discurso de combate à corrupção é um disco riscado que fere os ouvidos do público. Nunca houve a vontade de combater a corrupção, no país. A corrupção traz imensas vantagens para os seus exímios “atletas” da modalidade da ladroagem.

O combate à corrupção morreu com Samora Machel, ainda que tenhamos muitas reservas em relação a algumas das suas práticas. Desde que Samora Machel se foi, só ficou o discurso de combate à corrupção. Nunca passou de uma conversa de amigos, ainda que esta seja o principal motivos do atraso socioeconómico do país.

Os camaradas de DC, aqueles que batiam palmas e comum largo sorriso sabem que aquilo vale como um discurso político e nada mais que isso. DC será, brevemente, travado e odiado pelos cartéis do crime organizado que tomaram de assalto o partido Frelimo dos dias que correm.

Se DC se acha com energia suficiente, que comece a prender os corruptos e traficantes de droga que pululam no seu partido.

Toda a corrupção e tráfego de droga estão ligadas a gente do partido Frelimo. A Frelimo não tem como combater a corrupção. Quem joga a primeira? – perguntou Jesus aos que acusavam uma mulher de ser uma pecadora. Depois de um silêncio, cada um desapareceu.

Quando chegar a vez de os recolher às prisões, o partido Frelimo corre o risco de ficar reduzido à sua insignificância numérica. Sabemos que existem membros da Frelimo não-corruptos e sem ligação ao tráfico de droga, porém são uma minoria.

A Frelimo é conhecida como tendo sido por corruptos, traficantes de droga e bandidos. A Frelimo de hoje nada tem de comum com a FRELIMO que lutou pela conquista da independência do país. Até vários filhos dos presidentes estão metidos na corrupção.

Estão na devastação das nossas florestas. Estão na mineração e exploração dos mais diversos nacionais. Estão nos corredores de desenvolvimento, nos portos e caminhos-de-ferro, no sector de transporte rodoviário. É a causa principal da falência de muitas empresas públicas. Os casos da LAM, TMCEL e tantas outras.

Os dirigentes de níveis diversos da secreta se metem na corrupção e as dívidas ocultas ilustram muito bem o que estamos aqui a dizer. A forma como decorrem as eleições desde a introdução do multipartidarismo demonstra a podridão o sistema que visa perpetuar os bandidos e corruptos da Frelimo no poder.

Um partido com essa sujeira não pode, de forma alguma, combater a corrupção, por muita vontade tenha DC. Não chega a vontade política para lutar contra a corrupção, é preciso que haja mãos limpas. Essa condição é inquestionável.

Com quem vai contar DC nessa jornada? Muitos dos seus camaradas estão com as mãos sujas. Um corrupto não combate outro corrupto. Isso tão óbvio quanto cristalino.

O combate à corrupção deve iniciar pelo desmame da Frelimo do Estado. O resto vem depois.

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