Politica Sociedade

Porto de Maputo utilizado para fornecer material bélico letal a Israel

Screenshot

Comunicado

 

As organizações da sociedade civil apelam ao Governo de Moçambique para que tome medidas urgentes na sequência da partida do navio Holger G do Porto de Maputo no dia 20 de Novembro
de 20251O navio transportava cerca de 440 toneladas de material de uso militar destinado à Elbit Systems, o maior produtor de armas de Israel e um pilar central do genocídio em curso em Gaza. A carga inclui projécteis de artilharia, componentes de bombas de morteiro e aço de uso militar utilizado no genocídio, na ocupação ilegal e no regime de apartheid de Israel.

Após a partida do navio Holger G de Maputo, é necessária uma acção imediata para impedir
que futuras transferências ilegais de material militar e de dupla utilização para Israel sejam
facilitadas.

De acordo com a Convenção sobre o Genocídio, os Estados devem prevenir o genocídio e não
devem apoiar ou contribuir, directa ou indirectamente, para transferências que o facilitem.
Permitir que os navios que transportam esta carga ancorem, recebam serviços ou transitem em
águas territoriais constitui assistência proibida.

De acordo com os especialistas da ASCOMARE, a Associação para Consultoria em Direito
Marítimo Internacional:

  • Os Estados costeiros devem garantir que as suas águas não são utilizadas de forma
    incompatível com as suas obrigações perante o direito internacional, incluindo através
    da negação da passagem.
  • Os Estados portuários e costeiros devem tomar as medidas necessárias, incluindo a
    interrupção da passagem ou a confiscação da carga, quando os navios transportarem
    mantimentos militares que auxiliem na ocupação ilegal, apartheid ou genocídio de
    Israel.
  • Os Estados de bandeira devem adoptar “todas as medidas necessárias e proporcionais” para evitar novas violações.
  • A relatora especial da ONU, Francesca Albanese, afirmou ainda que as entidades
    empresariais podem ser responsabilizadas criminal e civilmente por contribuírem para crimes internacionais.

As organizações da sociedade civil instam Moçambique a tomar as seguinte medidas
imediatamente:

  • Adoptar um sistema automatizado de devida diligência para avaliar embarcações e
    cargas de alto risco.
  • Proibir a entrada, o serviço ou o trânsito portuário de navios que transportem material
    militar ou de dupla utilização com destino a Israel.
  • Analisar e divulgar os procedimentos que levaram o Holger G a ter permissão para
    ancorar.
  • Notificar Portugal (Estado de bandeira), a Alemanha (proprietário e operador) e o Reino
    Unido (seguradora) das obrigações de Moçambique e solicitar a sua cooperação, bem
    como a dos países vizinhos que possam estar na rota do navio.
  • Capacitar o pessoal portuário e marítimo para que façam cumprir as normas exigidas
    pela Convenção sobre o Genocídio e as orientações da ASCOMARE.

Em consonância com as suas obrigações e compromissos internacionais, bem como com o
seu apoio histórico à luta do povo palestiniano, Moçambique deve assegurar que o seu
território, portos e águas não contribuam para a ocupação ilegal, o apartheid, o genocídio ou
qualquer outra violação das normas imperativas por parte de Israel.

As organizações da sociedade civil abaixo indicadas reiteram o compromisso de permanecer
atentas e disponíveis para cooperar com o Governo de Moçambique neste sentido. Apelamos
ainda a todos os actores sociais, estatais e privados, incluindo trabalhadores portuários, que
estejam comprometidos com a justiça, os direitos humanos e o cumprimento do direito
internacional, a cumprir o seu dever cívico e negar prestar qualquer tipo de assistência ao
transporte de material militar ou de dupla utilização com destino a Israel.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *