Sociedade

Perseguindo Gezani vice-versa

Foto : Estacio Valoi/ Tofo/ Vilanculo/ Inhambane

Por Estacio Valoi

 

 

Ansiedade, medo, desespero marteladas, sacos de areia sobre o tecto, uns preparados outros não pela chegada de uma tempestade tropical já anunciado que dias antes devastara o vizinho Madagáscar onde pelo  menos 40 pessoas morreram em Madagáscar durante a passagem do ciclone Gezani, que atingiu a segunda maior cidade do país, Toamasina, segundo  autoridades malgaxes, pais este que

sempre ou quase sempre serve de escudo do Canal de Moçambique. GeZani com epicentros sobre as províncias de Inhambane, Gaza, depois de ter dado uma curva deixando Sofala para trás.

Foto : Estacio Valoi/ Tofo/ Vilanculo/ Inhambane

 

Estávamos na sexta feira treze  em Vilanculos de olhos postos sobre o céu escuro, mar a meia haste, tarde a  madrugada de mare morta, os coqueiros já dançavam ao ritmo da fúria dos ventos que vinham soprando a velocidade de 175 -200 km as bandas de tempestade externas (nuvens espirais de chuva), que soprava por volta das oito horas da manha já tinha reduzido a sua intensidade a chuva fraca que se fizera sentir, dissipava-se assim como as nuvens no céu deixando transparecer algum sol escondido.

Foto : Estacio Valoi/ Tofo/ Vilanculo/ Inhambane
Foto : Estacio Valoi/ Tofo/ Vilanculo/ Inhambane

 

Era o desvio do seu segundo trajecto de entrada para o continente, descia em direção ao distrito de Maxixe e mais abaixo a Praia do Tofo. Mas antes do Gezani chegar a Tofo enquanto ia dando suas voltas pelo mar, também saiamos pela estrada de Vilanculos rumo a Maxixe e depois Tofo. Afinal o o olho (núcleo interno),  da tempestade tinha chegado. Viria a fase mais temida e quando já passava das 23h30 quase meia noite o vento tornava-se um trovão, rajadas em sequencia, como se o olho depois de visualizar identificar o alvo, a parede do olho (onde estão os ventos mais fortes) só chegariam la quase a meia noite.

 

Pela estrada a chuva torrencial de quando em vez deixávamos acelerar a moderada ate Tofo. O olho da Gezani continuava cintilando de vigia pronto a entrar terra adentro e não tardou. Veio o olho e o rabo. A tarde perdia se na noite, o céu escurecia e o Olho do Gezani  chega guloso pronto a varrer tudo. Media o furor do vento, os coqueiros em riste, suas folhas dançavam a todo vento, para todos os lados dependendo da direção para onde o vento ia, algures as arvores tinham se deitada sobre os postes e cabos de energia elétrica e, Tofo caiu mais na escuridão. Contudo, apenas o olho da tempestade tinha chegado.

Foto : Estacio Valoi/ Tofo/ Vilanculo/ Inhambane

 

Viria a fase mais temida e quando já passava das 23h30 quase meia noite o vento tornava-se um trovão, rajadas em sequencia, como se o olho depois de visualizar identificar o alvo, a parede do olho, como que com dois braços de quando em vez  abraçava a casa enquanto o vento tentava levanta-la. Naquele momento já não se ouvia o dançar das chapas-tecto, paredes, já tinham sido levadas, caiam muros, telhas, desabavam tectos, gritavam famílias, as arvores dormiam não apenas sobre postes de energia mas sobre as casas com suas gentes dentro. As escuras e sem poder e binóculos íamos tentando perseguir a tempestade mas foi no alvorecer em que as contas da destruição começaram a ser feitas.

Foto : Estacio Valoi/ Tofo/ Vilanculo/ Inhambane
Foto : Estacio Valoi/ Tofo/ Vilanculo/ Inhambane

 

Marius, todos os anos sempre que cruza-se para um novo ano e chega o Fevereiro fica apreensivo, afinal de contas ‘e neste período chuvoso que chegam as tempestades e Moçambique tornou-se destino escolhido. Desta vez o prejuízo ultrapassou e esperado as suas casas foram afetadas “O ciclone, destruiu boa parte as minhas cinco casas.” Marius continuava desnorteado com o rasto de destruição deixado pelo Genize. A Marta idem “A minha casa, destrui a casa de banho, parece uma zona de guerra, arvores pelo chão, caminhamos por cima delas!” Disse Marta

Foto : Estacio Valoi/ Tofo/ Vilanculo/ Inhambane

Eram consideráveis os estragos feitos pela passagem da tempestade. pela província de Inhambane que resultou em três mortes, feridos, destruição de infraestruturas paralisando todos os serviços naquela província. Noticiava a radio boca (RM) que as mortes ocorreram durante o pico da tempestade na última noite. Ainda de acordo com autoridades locais, as causas das mortes dividem-se entre incidentes traumáticos e fenómenos naturais.

 

​“Na Massinga e cidade de Inhambane, as três vítimas morreram na sequência da queda de coqueiros sobre habitações e vias públicas, além de descargas atmosféricas que atingiram pontos residenciais. Uma pessoa contraiu ferimentos graves e encontra-se sob cuidados hospitalares. Casas foram destelhadas, escolas sofreram danos estruturais e a corrente elétrica permanece interrompida nas cidades de Inhambane e Maxixe. O ponto crítico da destruição localiza-se na ponte-cais da cidade de Inhambane. A força dos ventos e a ondulação provocaram o colapso da plataforma de acostagem de embarcações, condicionando a ligação marítima entre as cidade de Inhambane e Maxixe.”

Foto : Estacio Valoi/ Tofo/ Vilanculo/ Inhambane

 

Dados actualizados do governo indicam que o ciclone causou quatro mortos e afetou pelo menos 500 pessoas.

Foto : Estacio Valoi/ Tofo/ Vilanculo/ Inhambane

 

Segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres Moçambique ainda recupera das cheias de janeiro, que provocaram pelo menos 27 mortos e afetaram quase 725 mil pessoas.

Desde outubro, início da época chuvosa, Moçambique registou pelo menos 202 mortos, 291 feridos e 852.285 pessoas afetadas, segundo atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres  (Moz24h)

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