Sociedade

Mocímboa da Praia quase deserta após ataque que matou cinco pessoas

 

Por Quinton Nicuete

Mocímboa da Praia — A vila de Mocímboa da Praia vive momentos de tensão e abandono, depois de um ataque que resultou na morte de cinco pessoas, incluindo um professor e um agente da polícia. O clima de medo levou dezenas de famílias a deixar as suas casas e procurar refúgio em distritos vizinhos como Mueda ou em zonas consideradas mais seguras, como Montepuez e Pemba.

O governo e as forças de defesa tentaram acalmar a população, apelando à serenidade e à confiança na segurança. O administrador distrital, Sérgio Cipriano, assegurou em contacto telefónico com Moz24h, que as forças moçambicanas e ruandesas estavam a trabalhar para proteger os civis. “A população deve estar tranquila e confiante. Estamos a garantir a segurança e a impedir que mais pessoas sejam atacadas”, afirmou.

Apesar destes apelos, a confiança popular está em frangalhos. Muitos moradores ignoraram as recomendações das autoridades e abandonaram as suas casas, temendo novos ataques e sentindo que a proteção prometida não corresponde à realidade. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra ruas quase vazias e famílias a carregarem pertences rumo a distritos vizinhos, evidenciando o pânico instalado.

Fontes contactadas pelo Moz24h indicam que o ataque recente pode ter visado indivíduos que não cumpriram acordos com os insurgentes, numa tentativa de intimidação. “Alguns receberam dinheiro para se aliar a eles e não o fizeram, outros para comprar alimentação e não compraram. Foi uma lição para os que se comportam da mesma forma”, revelou uma fonte, sugerindo que situações similares podem repetir-se enquanto a população continuar em silêncio.

A sensação de abandono e insegurança torna a vida quotidiana insustentável. Terras férteis permanecem inacessíveis, pescadores têm medo de sair e os negócios estão paralisados. Enquanto a vila permanece quase deserta, o desafio do governo é enorme: restaurar a confiança da população, assegurar a proteção dos civis e impedir que Mocímboa da Praia se transforme numa cidade fantasma, refém do medo e da violência. Moz24h

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