Economia

Corte de financiamento dos EUA leva à suspensão de mais de 600 trabalhadores da Fundação Ariel Glaser em Cabo Delgado

A redução do financiamento do Governo dos Estados Unidos, associada a decisões políticas tomadas durante a administração do ex-presidente Donald Trump, já começa a produzir efeitos diretos no sector da saúde em Cabo Delgado, com a suspensão de contratos de centenas de profissionais ligados à Fundação Ariel Glaser.

Ao todo, 632 trabalhadores viram os seus vínculos laborais interrompidos, afectando significativamente o apoio prestado às unidades sanitárias e comunidades em vários distritos da província.

A informação foi tornada pública pelo governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, durante a 4.ª sessão ordinária do Conselho Executivo Provincial, realizada a 18 de março de 2026.

Segundo explicou o governante, a decisão foi comunicada formalmente ao seu gabinete através de uma nota da organização, que justificou a medida com a diminuição do financiamento proveniente do Governo norte-americano.

Os trabalhadores afectados estavam distribuídos por diversos distritos, nomeadamente Pemba, Mecúfi, Mueda, Chiúre, Balama, Montepuez, Metuge, Nangade, Ancuabe e Namuno. Entre as unidades mais impactadas está o Hospital Provincial de Pemba, que concentrava o maior número de profissionais vinculados ao programa.

A Fundação Ariel Glaser, conhecida pelo seu trabalho no combate ao HIV/SIDA, sobretudo na área pediátrica e de apoio comunitário, desempenha um papel relevante no reforço do sistema de saúde local, particularmente em zonas com limitações de recursos humanos.

A saída temporária destes profissionais levanta preocupações quanto à continuidade de serviços essenciais, incluindo acompanhamento de pacientes, programas de prevenção e assistência comunitária.

Perante o cenário, o governador garantiu que o executivo provincial está a acompanhar de perto a situação e manifestou solidariedade para com os trabalhadores afectados.

Valige Tauabo apelou ainda ao respeito pelos direitos laborais dos profissionais, sublinhando a necessidade de que todos os procedimentos relacionados com a suspensão dos contratos sejam conduzidos dentro dos marcos legais.

A decisão expõe, mais uma vez, a vulnerabilidade de sectores sociais estratégicos face à dependência de financiamento externo. Em regiões como Cabo Delgado, onde o sistema de saúde já enfrenta desafios estruturais, medidas desta natureza podem agravar ainda mais o acesso a cuidados básicos.

Especialistas alertam que a redução de apoio internacional, sem mecanismos internos de compensação, pode comprometer ganhos alcançados ao longo de anos no combate a doenças como o HIV/SIDA, sobretudo entre populações mais vulneráveis.

Enquanto isso, centenas de profissionais ficam numa situação de incerteza, num contexto em que o impacto social da medida se faz sentir não apenas entre os trabalhadores, mas também nas comunidades que dependem directamente dos serviços por eles prestados. (Moz24h)

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