Economia

Semana Económica: TotalEnergies Retoma Projecto, Juros Caem, FMI Alerta e Orçamento Prevê Défice

03/05/25

Asemana trouxe avanços relevantes no sector energético e medidas de alívio financeiro, mas também revelou vulnerabilidades profundas nas contas públicas. O Governo aprovou um novo orçamento com elevado défice, o FMI exigiu reformas urgentes e os trabalhadores criticaram os aumentos salariais anunciados. O anúncio da retoma do projecto Mozambique LNG pela TotalEnergies surge como sinal positivo no meio da incerteza.

TotalEnergies anuncia retoma projecto de gás em 2025

TotalEnergies confirmou que irá retomar até meados de 2025 o projecto Mozambique LNG, suspenso desde Abril de 2021 devido à instabilidade securitária em Cabo Delgado. A decisão, anunciada pelo presidente executivo da companhia, Patrick Pouyanné, surge após sinais consistentes de melhoria das condições de segurança, atribuídas à actuação conjunta das Forças de Defesa e Segurança moçambicanas, da SADC e das forças ruandesas.

Com um investimento global de 20 mil milhões de dólares (1,2 bilião de meticais), o projecto deverá produzir até 12,8 milhões de toneladas de gás natural liquefeito por ano. O levantamento oficial do estado de força maior está dependente da aprovação final de financiamentos e garantias institucionais — entre elas, a do US ExIm Bank, que já revalidou um empréstimo de 4,7 mil milhões de dólares — e de outros compromissos por parte do Reino Unido e dos Países Baixos.

 Taxa de juro baixa para 18%

Associação Moçambicana de Bancos (AMB) anunciou a redução da taxa de juro de referência (prime rate) para 18% no mês de Maio. Este é o sexto corte nos últimos sete meses, reflectindo os sinais positivos na trajectória da inflação, e acompanha a recente decisão do Banco de Moçambique de reduzir a taxa MIMO para 11,75%.

A descida da taxa procura impulsionar o acesso ao crédito num contexto ainda frágil, mas promissor. No entanto, o Comité de Política Monetária alertou para o agravamento do risco fiscal, o que poderá neutralizar os benefícios da flexibilização monetária. A próxima reunião do Comité, agendada para 28 de Maio, será decisiva para definir o rumo da política monetária no curto prazo.

Governo aumenta salário mínimo com críticas

O Governo aprovou, na véspera do Dia Internacional do Trabalhador, o reajuste do salário mínimo para oito sectores de actividade, com aumentos que variam entre 150 e 1820 meticais, com efeitos retroactivos a Abril. A medida foi apresentada como uma solução possível diante da actual conjuntura económica, e não como resposta às expectativas das organizações sindicais.

A OTM-CS, maior central sindical do País, considerou os aumentos insuficientes. O secretário-geral, Damião Simango, apontou que o salário mínimo mais baixo cobre apenas 11% da cesta básica avaliada em 40 mil meticais. Mesmo o salário mais elevado não ultrapassa os 40%, revelando, segundo o dirigente sindical, o desfasamento entre o rendimento legal e o custo real de sobrevivência das famílias moçambicanas.

FMI exige reformas para evitar colapso fiscal

Fundo Monetário Internacional lançou um alerta claro durante o Economic Briefing organizado pela CTA: Moçambique precisa de reformas urgentes para evitar o colapso das finanças públicas. O representante do Fundo, Olamide Harrison, destacou que a dívida pública já ronda os 100% do PIB e os encargos com juros absorvem 4,5% da riqueza nacional.

O défice orçamental situou-se em 6,4% em 2023, e os atrasos nos pagamentos a fornecedores tornaram-se recorrentes. O FMI recomenda medidas estruturais como a contenção da massa salarial, eliminação de isenções fiscais injustificadas, reforço da administração tributária e maior flexibilidade cambial para melhorar a competitividade externa e recuperar a confiança dos investidores.

Orçamento 2025 prevê défice de 1,9 mil milhões de dólares

O Conselho de Ministros aprovou esta semana a proposta do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2025, que prevê um défice de 126,8 mil milhões de meticais (1,9 mil milhões de dólares). O orçamento total está estimado em 512,7 mil milhões de meticais, com receitas esperadas de 385,8 mil milhões, o que revela uma forte dependência de financiamento externo.

Segundo o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, o novo Executivo está a operar com recursos herdados e enfrenta enormes constrangimentos. A Conta Geral do Estado de 2024 revela que a dívida pública atingiu 1,1 biliões de meticais (17 mil milhões de dólares), correspondente a 76,9% do PIB. As receitas arrecadadas ficaram 10% abaixo da meta, agravando ainda mais a pressão sobre o Tesouro. (DE)

Fonte: Felisberto Ruco

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