Sociedade

Cidade de Maputo: clima de luto e de feriado

 

Usando um pouco de coragem, nesta tarde, depois de uma manhã paradoxal: festa do povo e morte de algumas pessoas, saí de um ponto para outro, relativamente, longo.

A ideia não era para medir o meu nível de coragem, porém para vivenciar o ponto de situação que Maputo se encontra.

1. Feriado para a celebração da festa do povo

É um dia ímpar. É um dia prometido. Aquele que o povo aguardava sua chegada já cumpriu com a promessa. O homem chegou.
Multidões se fizeram presentes nas ruas e outras foram ao aeroporto para receber VM7.

Nos rostos de homens e mulheres que festejevam o seu presidente, a alegria era visível, mas também a preocupação para ouvirem o que VM7 iria falar.

Não precisava de muito sacrifício para compreender que o povo também foi ao aeroporto para dar o seu recado: liberdade de Moçambique.

A euforia era incontida porque não havia nenhuma força humana que pudesse impedir o povo.

2. Luto e silêncio
Muitas ruas bloqueadas, algumas pessoas a caminhar de um bairro para outro. Sem quase nenhum transporte coletivo. Quem conhece Maputo, o que se vive agora parece um final de domingo e não uma plena quinta-feira.

Para piorar, muitas ruas estão alagadas porque choveu bastante, ontem e hoje.

Algumas partes da cidade dão arrepios no corpo porque lá foram mortos nossos irmãos. Embora não tenhamos o número exato de mortes, o gás lacrimogêneo, a essa hora, está a castigar muitos munícipes.

Enfim, o que poderia ser a manifestação do direito dos cidadãos, tornou-se um dia de pesadelo e de luto para algumas famílias que viram seus filhos mortos.

O que seria a forma simples de celebrar a democracia tornou-se um dia de atropelos e de confrontos.

Enquanto continuarmos com a guerra, o ódio e o desentendimento, o país continuará na miséria e muitos homens e mulheres estarão mergulhados no desespero.

Portanto, optemos pelo diálogo para corrigirmos os erros cometidos direta ou indiretamente.

Em breve, poderemos partilhar mais elementos se tivermos acesso e inspiração.

Paz para o povo moçambicano!

Servo inútil,
Pe. Fonseca Kwiriwi, CP.

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