Por Quinton Nicuete
Chiúre, 01 de Agosto de 2025 – O presidente do Conselho Municipal de Chiúre, em Cabo Delgado, Alicora Ntutunha, denunciou nesta quinta-feira que o município, gerido pela RENAMO, tem sido sistematicamente excluído do processo de assistência aos deslocados internos que chegam à vila sede do distrito. Segundo o edil, os camiões de ajuda humanitária destinados às vítimas do terrorismo não passam pelo município e estacionam diretamente na sede do Partido Frelimo.
“Os camiões, quando vêm, param ali no Partido Frelimo. É isso que eu sei. O que é que levam? Carregam o quê? Eu não sei”, lamentou Alicora em entrevista ao Moz24h, assegurando que a edilidade não participa na distribuição de alimentos ou bens essenciais doados por organizações de ajuda humanitária.
O município de Chiúre tem recebido milhares de famílias em fuga de ataques insurgentes nas zonas de Chiúre-Velho, Ocua e outros distritos. O edil afirma que, apesar de a administração municipal conhecer a população e os bairros que acolhem os deslocados, não é envolvida na coordenação do apoio humanitário.
“Eu não sei nada disso. Nem sei o que é que estão a distribuir. A verdade é que não temos informação nem participação”, disse.
Além de criticar a exclusão na gestão de deslocados, Alicora expressou frustração com a resposta tardia das forças de defesa e segurança aos ataques armados. Para o edil, a população sente-se desprotegida:
“Quando a população faz uma manifestação, a polícia chega logo. Mas quando há ataque, o socorro só vem depois, às vezes no dia seguinte. Isso não é socorro”, criticou.
O edil do município de Chiúre, denuncia depois do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres Naturais e outras organizações de ajuda humanitária como o programa mundial de alimentação (PMA), ter distribuído anteontem produtos alimentares e não alimentares sem convidar o município.
A denúncia levanta novas questões sobre a transparência e imparcialidade na distribuição de ajuda humanitária em Cabo Delgado, numa altura em que o distrito de Chiúre continua a acolher deslocados do conflito que assola a província desde 2017. Moz24h
