Por Quinton Nicuete
Chiúre, 01 de Julho de 2025 – O presidente do Conselho Municipal de Chiúre, Alicora Ntutunha, manifestou profundo desagrado quanto à forma como as Forças de Defesa e Segurança (FDS) estão a actuar no combate ao extremismo violento em Cabo Delgado. Em entrevista concedida esta quinta-feira, o edil, eleito pela RENAMO, comparou a actual insurgência com a guerra dos 16 anos entre o Estado moçambicano e a própria RENAMO, sublinhando diferenças na resposta militar.
Segundo Alicora, durante a guerra civil os homens armados da RENAMO eram perseguidos “em todas as aldeias”, inclusive por milícias locais, algo que, afirma, não acontece hoje no combate ao terrorismo.
“Sou um homem adulto, vi como começou e terminou a guerra. Naquele tempo, havia perseguição constante aos homens armados. Hoje, os terroristas entram, atacam, matam, e a resposta só surge depois, por vezes um ou dois dias mais tarde. Isso não é socorro”, lamentou.
O edil criticou a demora na intervenção militar, considerando que a população se sente desamparada perante os ataques que continuam a afectar várias comunidades de Chiúre e distritos vizinhos.
“Quando a população faz uma manifestação, a polícia aparece de imediato. Mas quando há ataque, só respondem depois, quando já tudo terminou. Os terroristas não são loucos, pensam. Se atacam hoje, amanhã já não estão lá”, afirmou.
Alicora defendeu ainda uma maior mobilização de recursos no terreno, recordando equipamentos militares utilizados no passado:
“Estão a exibir armamento aqui na vila mas porque não vão lá no mato? E se trouxessem os meios que vimos naquele tempo, até helicópteros, e os colocassem aqui, poderíamos acabar com estes terroristas. Mas assim não”, criticou.
O edil concluiu alertando para a crescente desconfiança da população em relação às autoridades, uma vez que muitos já não acreditam que a presença militar garanta segurança.
A entrevista evidencia tensões políticas e institucionais na gestão da crise em Cabo Delgado, numa altura em que Chiúre continua a receber deslocados e a enfrentar ataques esporádicos de grupos insurgentes.
O autarca de Chiúre, lamentou também que é sistematicamente excluído do processo de assistência aos deslocados internos que chegam à vila sede do distrito. Segundo o edil, os camiões de ajuda humanitária destinados às vítimas do terrorismo não passam pelo município e estacionam diretamente na sede do Partido Frelimo. (Moz24h)
