Titulo da responsabilidade do Moz24h
O presidente do partido ANAMOLA, Venâncio Mondlane, acusou o Governo de falhar gravemente na resposta às cheias que afectam várias regiões do país, defendendo que os impactos registados não podem ser atribuídos apenas a fenómenos naturais, mas sim a práticas recorrentes de corrupção e gestão ineficiente dos recursos públicos.

Citado pelo Integrity, nesta quarta-feira, em Maputo, durante um encontro com a imprensa, Mondlane afirmou que a dimensão da crise resulta de anos de investimentos mal executados em saneamento e ordenamento urbano. O dirigente político citou programas financiados ao longo da última década, como o ProMaputo e o Programa de Transformação Urbana de Maputo, que, segundo disse, absorveram verbas avultadas sem produzir melhorias estruturais visíveis, apontando como exemplo a persistente situação da lixeira de Hulene.
“Foram investidos cerca de 135 milhões de dólares apenas na cidade de Maputo, mas os problemas de saneamento não só permanecem como se agravam de ano para ano”, afirmou.
Mondlane sustentou ainda que falhas na aplicação dos fundos levaram parceiros internacionais, incluindo o Banco Mundial, a suspender ou rever apoios financeiros. Para o líder do ANAMOLA, a resposta à actual emergência deve ir além da assistência humanitária e incluir medidas judiciais contra os responsáveis.
“Não basta apoiar as vítimas. É fundamental abrir processos criminais contra gestores públicos que desviaram recursos destinados à prevenção e mitigação de desastres. Esses responsáveis são conhecidos e devem responder perante a justiça”, declarou. Mondlane

Chuvas, mortes e a repetição de um fracasso evitável
Chuvas, Moçambique, Mortes, Opinião, Rafael Nambale, Redactor, SOJORNAL, Somos equidistantes
Todos os anos, no mesmo período, o país assiste ao mesmo drama. As chuvas caem, os rios transbordam, bairros inteiros ficam submersos e famílias perdem o pouco que tinham — casas, bens, memórias e, em demasiadas ocasiões, vidas humanas. Em Moçambique, as inundações deixaram de ser um fenómeno excepcional para se tornarem uma tragédia recorrente, previsível e, por isso mesmo, politicamente imperdoável.
O que intriga — e indigna — é o contraste gritante entre a dor real das populações e o triunfalismo dos discursos e imagens oficiais. Enquanto comunidades choram os seus mortos, multiplicam-se comunicados, conferências de imprensa, visitas encenadas e declarações de “prontidão” e “resposta eficaz”, como se a exposição mediática bastasse para mitigar o sofrimento humano.

Não basta!
As cheias que assolam repetidamente as províncias do Sul não são uma surpresa nem um mistério técnico. As zonas de risco são conhecidas, os cursos de água são os mesmos, os bairros afectados repetem-se ano após ano. Quando a tragédia se repete com tal regularidade, deixa de ser uma fatalidade natural e passa a ser o reflexo de falhas estruturais profundas: ausência de planeamento urbano sério, sistemas de drenagem deficientes, ocupação desordenada do solo tolerada ou incentivada, e uma persistente incapacidade — ou falta de vontade política — de investir na prevenção.
O Estado, nos seus diferentes níveis — central, provincial e municipal — tem-se revelado mais eficaz a reagir à tragédia do que a evitá-la. Distribuem-se bens de emergência, anunciam-se comissões, prometem-se estudos e planos futuros. Porém, passado o período mediático, tudo regressa ao silêncio institucional, até à próxima chuva.
Este ciclo repetitivo é perigoso. Normaliza o inaceitável. Banaliza a perda de vidas humanas, sobretudo quando as vítimas pertencem quase sempre aos mesmos estratos sociais: os mais pobres, os mais vulneráveis, os que vivem onde o Estado raramente chega fora dos períodos de crise.
O triunfalismo oficial, neste contexto, não é apenas deslocado — é moralmente ofensivo. Governa-se mais para a câmara do que para o cidadão.

E, Dor e responsabilidade
Circulam anúncios do lançamento da autobiografia do nosso Presidente com o título “Do cativeiro à presidência da república”, acompanhados da informação de que as receitas reverterão a favor das vítimas das recentes inundações. O acto surge num contexto particular do adiamento, por ele próprio, das celebrações do primeiro ano de mandato, em nome da dor nacional causada pelas cheias. Tudo isto confere ao lançamento um enquadramento moralmente sensível, que exige reflexão cuidada.
O primeiro problema é conceitual. O título constrói uma narrativa de continuidade biográfica que não corresponde aos factos. O cativeiro foi um episódio traumático e digno de respeito, mas não foi o ponto de partida directo dum percurso até à presidência. Entre esse episódio e o cargo máximo do Estado houve uma infância e juventude normais, formação académica, exercício profissional e uma carreira administrativa longa e integrada. Apresentar esse percurso como uma travessia linear “do cativeiro ao poder” não é rigor histórico. É mitificação política.
O segundo problema é ético-político. A decisão de doar as receitas às vítimas das cheias pode parecer nobre, mas introduz uma confusão perigosa entre solidariedade e responsabilidade. A assistência às populações afectadas por calamidades previsíveis não é um acto de generosidade individual, mas um dever do Estado. Quando a resposta institucional é simbolicamente deslocada para a esfera da caridade associada a uma narrativa pessoal, corre-se o risco de transformar a dor colectiva em recurso moral de legitimação.
Por fim, este episódio revela uma dificuldade mais profunda da nossa cultura política que é a tendência para substituir projecto político por narrativa pessoal. Democracias não se constroem com histórias edificantes, mas com responsabilidades assumidas, políticas claras e capacidade de prestar contas. O sofrimento passado pode explicar um indivíduo, mas não substitui a obrigação presente de governar. Em momentos de dor nacional, o que se espera não é uma boa história, mas um Estado à altura da sua responsabilidade.
A este quadro junta-se ainda a forma como a TVM enquadra o lançamento, chegando a afirmar que o Presidente “se estreia na literatura”. A expressão não é inocente. Ao apresentar uma autobiografia política como acontecimento cultural, o serviço público de comunicação desloca o debate do campo da responsabilidade democrática para o da celebração simbólica, onde o escrutínio tende a desaparecer. Em vez de contextualizar, problematizar o título, o momento e o sentido político do acto, a televisão pública contribui para embelezar o poder e normalizar a confusão entre governação, caridade e narrativa pessoal.
Se esse evento realmente acontecer, estaremos mesmo a bater fundo, escrevia Elísio Macamo.
Mas era preciso perceber mais e a Quitéria Guirengane perguntava ao ChatGpt o que é vida em cativeiro
Alguém que passou a vida em cativeiro pode sair: com raiva profunda mal elaborada, com visão de mundo binária (amigo/inimigo), com medo constante de perder o controle, com necessidade de dominar para não ser dominado.
E quando essa pessoa assume a presidência, o risco é real porque: Onde mora o perigo
Decisões movidas por gatilhos, não por análise racional.
Personalização do poder (“o Estado sou eu”) como defesa psicológica. Intolerância à oposição, que pode ser sentida como ameaça existencial.
Uso da força como prevenção, não como último recurso.
Isso não é fraqueza moral — é ferida psíquica com megafone institucional.
Um ponto crucial
O problema não é o passado traumático em si, mas: a ausência de elaboração,
a falta de limites institucionais fortes, a romantização da dor (“sofri, então sei governar”).
Trauma não processado tende a: repetir a lógica do cativeiro — só que agora do outro lado da porta.
Por isso, em termos de risco…
Uma pessoa profundamente ferida no comando: pode confundir segurança com controle total, pode confundir crítica com ataque,
pode confundir oposição com inimigo. E aí, sim: torna-se um perigo, mesmo acreditando que está “protegendo”. Fonte: ChatGpt
E , ANE informa: circulação interrompida na N1, no troco 3 de Fevereiro , Incoluane (Manhiça), devido ao galgamento da estrada numa extensão de cerca de 3km.!

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