Sociedade

A HORA DA VERDADEIRA PROVA CONTRA A CORRUPÇÃO

 Se o Ministro da Agricultura não se demitir, o Presidente da República deve exonerá-lo

A recente decisão do Tribunal Administrativo da Cidade de Maputo (TACM), que declarou nulo o contrato milionário entre o Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique (IAOM) e a empresa Future Technology of Mozambique (FTM), expõe uma teia de ilegalidades e indícios de corrupção que não podem passar impunes. Mais grave ainda é o que nos parece um claro conflito de interesses que envolve directamente o Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino.

 

É que duas semanas antes da adjudicação do contrato, o Ministro participou num evento público em que o administrador da FTM, Paulo Auade Jr., com quem mantém relações de negócios, apresentou a plataforma que viria a ser contratada. Para agravar a situação, poucos dias após o anúncio da adjudicação, já envolto em fortes críticas, Paulo Auade Jr. foi convidado para o stand do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas na FACIM, onde voltou a apresentar a plataforma “vencedora”. Esta ligação pode ajudar a explicar o festival de ilegalidades que marcou o processo de contratação.

 

Tendo em conta o discurso do Presidente da República (PR), Daniel Chapo, na tomada de posse dos ministros, em que advertiu que os governantes não deviam transportar os vícios do passado e deveriam trabalhar de forma diferente para alcançar resultados diferentes, é imperativo que se aja com firmeza. Se o próprio ministro não apresentar a sua demissão, cabe ao PR ter a coragem de exonerá-lo, demonstrando, assim, que a sua promessa de ruptura com práticas do passado é séria, coerente e inegociável. (CDD)

https://cddmoz.org/wp-content/uploads/2025/09/Se-o-Ministro-da-Agricultura-nao-se-demitir-o-Presidente-da-Republica-deve-exonera-lo.pdf

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