Sociedade

População de Mocímboa da Praia Acusa Autoridades de Desvio de Alimentos, Distribuição Seletiva e Falta de Transparência

 

Moradores de Mocímboa da Praia denunciam uma situação de abandono, fome e negligência que se prolonga há meses. Segundo relatos recolhidos pelo Moz24h, famílias foram devidamente inscritas, um homem e uma mulher por bairro, realizaram as provas exigidas pelas organizações humanitárias, mas nenhuma cota de alimentos chegou até hoje. Enquanto isso, distritos vizinhos como Muidumbe, Macomia, Nangade e Palma recebem regularmente a ajuda, alimentando revolta e sentimento de injustiça entre os residentes de Mocímboa da Praia.

“Fizemos tudo certo. Fomos registrados, fizemos as provas, mas nada chegou. Os nossos irmãos em outros distritos recebem diariamente. E nós, aqui, continuamos sem nada”, desabafou uma moradora, visivelmente frustrada. Nos bairros circulam boatos de que parte dos alimentos teria sido desviada para Moeda e outros pontos, deixando Mocímboa da Praia fora das prioridades. “A comida chegou, mas foi levada para fora. Aqui não apareceu nada”, lamentou outro residente.

Apesar da presença da PMA e de outras organizações humanitárias na região, a comunidade afirma estar completamente esquecida. Um líder comunitário denuncia que desde 2022 nenhuma entrega oficial foi feita no distrito. “Até hoje não sabemos o resultado do processo. Enquanto outros recebem todos os dias, nós não recebemos nenhuma cota. É injusto e desumano”, afirmou.

A indignação aumenta porque a situação de segurança na região está agora estável, permitindo a circulação normal de caminhões de distribuição. Mesmo assim, moradores confirmam que os alimentos são descarregados apenas em Mueda, Macomia,Muedume e Nangade. “Quando o caminhão chega, descarrega para outros locais e nós ficamos a ver. Hoje é dia 25 e ainda não sabemos quando receberemos a nossa parte”, contou um residente.

A população acusa as autoridades locais de falta de transparência, favoritismo e possíveis desvios. Muitos acreditam que a distribuição seletiva está a ser feita de forma intencional e pedem fiscalização urgente. “Queremos respostas claras. Não queremos promessas, queremos ver a comida chegar de verdade”, apelou uma moradora.

Enquanto isso, famílias sobrevivem com esforço próprio, enfrentando fome, incerteza e um futuro cada vez mais sombrio. A cada dia que passa sem a chegada dos alimentos, cresce a sensação de abandono e a necessidade de responsabilizar aqueles que gerem a ajuda humanitária no distrito. Moz24h

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