Sociedade

Terror em Ancuabe: seis agricultores decapitados e população em estado de pânico

 

Por Quinton Nicuete

Na tarde de segunda-feira, 21 de Julho, a aldeia de Natocua, no distrito de Ancuabe, em Cabo Delgado, voltou a ser alvo de uma ofensiva terrorista que deixou seis mortos. As vítimas, camponeses que se encontravam nas machambas, foram decapitadas e abandonadas nos locais de trabalho, gerando uma onda de medo e deslocações forçadas na comunidade.

Segundo testemunhos recolhidos, o grupo armado surpreendeu os agricultores enquanto estes colhiam milho, feijão, ervilhas e fabricavam nipa, uma bebida tradicional que seria usada como pagamento pelo transporte dos produtos até à aldeia.

“Encontrámos cinco corpos juntos, todos degolados. A sexta vítima foi localizada noutra machamba e sepultada numa vala comum. Tinha rastas e a cabeça nunca chegou a ser encontrada,” relatou um líder comentário da aldeia, em contacto telefónico com a Moz24h.

Os cadáveres foram localizados com o apoio de forças ruandesas e elementos da Força Local, numa operação que durou mais de cinco horas a pé, entre as zonas de cultivo e os pontos de execução.

“As cabeças foram separadas dos corpos e deixadas à margem. Como somos da aldeia, conseguimos reconhecer cada pessoa pelo rosto e pelas roupas excepto este de rasta que não conseguimos achar” acrescentou.

O ataque de segunda-feira sucede-se a uma outra investida registada desde domingo, 20 de Julho. Nessa data, insurgentes incendiaram uma residência presumivelmente associada à um membro da Força Local, um campo de futebol vedado e um alpendre usado para fabrico de nipa, na aldeia de Nanduli.

A população está em estado de alerta, com vários moradores a procurarem refúgio na mata. Entre os relatos, há sequestros de jovens que terão sido posteriormente libertados.

A Estrada Nacional 380 tem sido palco de múltiplos raptos. Viajantes são interceptados e obrigados a pagar pela sua libertação. A 12 de Julho, uma ambulância do Hospital de Mueda foi emboscada por presumíveis terroristas, facto que agravou a sensação de vulnerabilidade da rede de saúde pública.

“Até os serviços essenciais, como ambulâncias, estão sob risco. A situação é preocupante,” declarou Magid Sabune, director provincial da Saúde.

O governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, anunciou em Mueda a reactivação de escoltas armadas nas zonas mais afectadas. A medida visa conter os ataques e restaurar alguma segurança nos distritos rurais mais vulneráveis. Moz24h

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