Politica

Ruanda admite retirar tropas de Cabo Delgado caso falte financiamento para a missão

Por Quinton Nicuete

 

 

A permanência das forças militares do Ruanda na província de Cabo Delgado poderá estar em risco caso não sejam garantidos recursos financeiros suficientes para sustentar a operação de combate ao terrorismo no norte de Moçambique.

O alerta foi lançado pela porta-voz do Governo ruandês, Yolande Makolo, que indicou que a continuidade da presença militar do país depende da existência de um financiamento estável e previsível para apoiar a missão.

Em declarações tornadas públicas através da rede social X, Makolo referiu que, caso as autoridades militares do Ruanda considerem que o esforço realizado pelas suas tropas não está a ser devidamente apoiado pela comunidade internacional, poderá ser recomendada ao governo a retirada do contingente destacado em Cabo Delgado.

Segundo a responsável, o comando das Forças de Defesa do Ruanda poderá rever o acordo bilateral de cooperação em matéria de segurança firmado com Moçambique, caso se conclua que os custos da operação continuam a recair quase exclusivamente sobre Kigali.

A posição surge numa altura em que se aproxima o fim do actual pacote de financiamento concedido pela União Europeia para apoiar a presença militar ruandesa em Cabo Delgado, cuja vigência está prevista terminar em Maio deste ano. Até ao momento, não foi anunciada oficialmente a renovação desse apoio.

Parte dos recursos destinados à missão tem sido canalizada através do European Peace Facility, mecanismo europeu criado para apoiar operações de segurança e defesa em diferentes regiões. Segundo informações tornadas públicas, cerca de 20 milhões de euros já foram disponibilizados para apoiar o destacamento ruandês em Moçambique.

No entanto, as autoridades de Kigali afirmam que os custos totais da operação são significativamente superiores ao montante disponibilizado pelos parceiros internacionais. De acordo com a porta-voz do governo ruandês, o esforço financeiro suportado pelo país poderá ser pelo menos dez vezes maior do que o valor já desembolsado através daquele mecanismo europeu.

Além do impacto financeiro, Ruanda destaca também o sacrifício humano associado à missão, sublinhando que soldados ruandeses têm perdido a vida nas operações de combate aos grupos armados que actuam na região.

O contingente ruandês foi destacado para Cabo Delgado em 2021, numa altura em que a província enfrentava uma escalada de ataques insurgentes. Desde então, as tropas daquele país têm desempenhado um papel central em operações militares destinadas a recuperar áreas anteriormente controladas por grupos armados e a reforçar a segurança em distritos estratégicos.

Perante as declarações de Kigali, o Governo moçambicano indicou recentemente que estão a ser analisadas alternativas para assegurar a continuidade dos esforços de estabilização na província, caso o actual modelo de financiamento internacional venha a sofrer alterações.

Apesar disso, as autoridades nacionais não avançaram detalhes sobre eventuais novas fontes de apoio ou sobre possíveis ajustes na estratégia de cooperação militar em Cabo Delgado.

A situação ocorre num momento em que a província continua a enfrentar desafios de segurança, embora os ataques armados tenham registado uma redução em comparação com os anos mais intensos do conflito.

Analistas consideram que a eventual retirada das forças ruandesas poderia representar um desafio significativo para a estabilidade da região, uma vez que estas tropas têm sido consideradas um dos principais pilares das operações militares de contenção da insurgência no norte de Moçambique. (Moz24h)

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