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Renco persiste em contaminar Escolas de Pemba

Por Quinton Nicuete

 

Pemba — Apesar da pavimentação recente da via que circunda o perímetro da empresa Renco, situada no bairro Alto-Gingone, em Pemba, a poluição ambiental que afeta diretamente duas instituições de ensino continua a gerar indignação e clamor público. A situação expõe dezenas de crianças, algumas com apenas seis anos, a um mau cheiro persistente e insuportável, proveniente das imediações da empresa, mesmo após a execução de obras que supostamente visavam mitigar o problema.

A denúncia, inicialmente reportada pelo portal Moz24h, teve sua publicação ameaçada por tentativas de intimidação e posterior apresentação de uma queixa contra o jornalista responsável. A repercussão forçou a Renco a realizar intervenções emergenciais que, segundo membros da comunidade escolar, revelaram-se ineficazes.

As Escola Básica Amizade Moçambique-China e Secundária Maria Mazzarello, ambas localizadas nas proximidades da empresa, continuam a enfrentar diariamente um ambiente impróprio para o processo de ensino-aprendizagem. Relatos de crianças ouvidas esta segunda-feira dão conta de que o odor invade as salas de aula e também atinge o espaço exterior, onde muitas se deslocam para comprar lanche. “O cheiro está sempre lá. Mesmo quando vamos ao recreio sentimos mal-estar”, contou uma aluna visivelmente incomodada.

Outro estudante, esperançoso com as obras de pavimentação, confessou frustração ao perceber que o problema persiste: “Pensei que o cheiro fosse acabar, mas não mudou nada. Queremos que os líderes da cidade façam alguma coisa”.

As direções das escolas optaram por não comentar o caso, temendo represálias, como aconteceu anteriormente, quando a exposição pública do problema resultou em pressão legal por parte da empresa.

A comunidade escolar, composta por estudantes, professores, encarregados de educação e líderes locais, clama agora por uma intervenção oficial do Conselho Municipal de Pemba. Muitos evocam o precedente recente em que a edilidade se posicionou contra encerramento das s suas actividades a empresa Moz Environmental, no bairro de Metula, exigindo medidas corretivas face a problemas ambientais semelhantes.

Enquanto isso, permanece o desconforto diário de dezenas de crianças que tentam aprender entre paredes invadidas por um odor que parece resistir às soluções superficiais. A situação levanta questões sobre a fiscalização ambiental em zonas urbanas sensíveis e a proteção da saúde pública infantil, numa cidade que continua a crescer entre contrastes. Moz24h

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