Por Quinton Nicuete
A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, anunciou na última sexta-feira, na província de Sofala, a intenção de distribuir cerca de 17 milhões de capulanas a mulheres em todo o país, por ocasião do 7 de Abril.
O anúncio rapidamente gerou polémica e fortes críticas nas redes sociais e em vários sectores da sociedade, sobretudo devido ao custo estimado da iniciativa. Pelas contas que circulam, a aquisição das capulanas poderá representar um encargo de aproximadamente dois mil e quinhentos milhões de meticais.
O debate intensificou-se num momento em que o Serviço Nacional de Saúde enfrenta dificuldades significativas. Em diferentes unidades sanitárias do país registam-se carências de medicamentos, material médico e produtos básicos de higiene. No Hospital Distrital da Manhiça, por exemplo, serviços como cirurgias chegaram a ser suspensos devido à falta de material de limpeza e condições adequadas.
Para muitos cidadãos, a prioridade orçamental deveria estar centrada no reforço do sistema de saúde, que enfrenta constrangimentos estruturais, sobretudo nas zonas rurais e distritais. Outros defendem que a iniciativa tem um carácter simbólico e social, mas questionam o equilíbrio entre acções de impacto político e necessidades urgentes do sector da saúde.
O anúncio reacende, assim, o debate sobre prioridades de investimento público num contexto de limitações financeiras e crescentes exigências sociais. Moz24h

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