Sociedade

ONG Kóxukhuro desmente PRM e denuncia “massacre” de 38 garimpeiros em Mogovolas

Por Quinton Nicuete
A organização não-governamental Kóxukhuro, que actua na promoção e defesa dos direitos humanos, desmentiu publicamente a versão da Polícia da República de Moçambique (PRM) sobre os tumultos registados no passado dia 29 de Dezembro, na localidade de Marraca, posto administrativo de Iuluti, distrito de Mogovolas, província de Nampula.
Segundo a PRM, os confrontos teriam resultado na morte de sete pessoas, incluindo um agente da corporação, alegadamente membros do partido ANAMOLA e Naparamas. No entanto, após um trabalho de campo, a Kóxukhuro afirma que os dados divulgados pela polícia não correspondem à realidade.
Falando esta segunda-feira, 05 de Janeiro, à imprensa, o director da Kóxukhuro, Gamito dos Santos, afirmou que a organização apurou a morte de 38 pessoas, entre as quais oito mulheres e algumas crianças, além de 13 feridos, classificando o ocorrido como um “massacre”.
⁠“Primeiro, queremos desmentir as informações vinculadas pelas autoridades policiais, em particular o comando provincial da PRM. Não é verdade que as pessoas mortas sejam Naparamas ou membros do partido ANAMOLA. Fizemos trabalho de terreno e os números anunciados oficialmente também não são verdadeiros”, declarou.
De acordo com a organização, as vítimas seriam garimpeiros que exercem actividade ilegal na região, alegadamente mortos por agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) durante a operação policial.
Além das mortes e dos feridos, a Kóxukhuro denuncia a destruição de bens, incluindo a queima de cerca de 27 motorizadas no local, bem como a apreensão de outras viaturas cujo paradeiro é, segundo a organização, desconhecido. A ONG refere ainda que cinco pessoas encontram-se sob custódia policial.
⁠“O que aconteceu no regulado de Marraca foi, de certa forma, um assassinato em massa. Estamos perante um atentado à verdade e à informação pública”, acrescentou Gamito dos Santos.
Face à gravidade dos factos, a Kóxukhuro anunciou que irá submeter uma queixa-crime junto da Procuradoria-Geral da República (PGR), exigindo uma investigação independente e a responsabilização criminal dos autores materiais e morais, incluindo o próprio Estado, caso se confirmem as denúncias.
Até ao momento, a PRM ainda não reagiu oficialmente às acusações feitas pela organização de direitos humanos. O caso volta a levantar preocupações sobre o uso da força pelas autoridades e a necessidade de transparência e responsabilização em operações policiais envolvendo civis. Moz24h

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