Por Estácio Valoi e Quinton Nicuete
Moradores próxima a uma zona mineira localizda na aldeia Muaja, no distrito de Ancuabe em Cabo Delgado, denunciam alegadas cobranças ilegais feitas por fiscais ligados ao Parque Nacional das Quirimbas e por agentes da fiscalização da fauna, ao mesmo tempo que reclamam da ausência de acções eficazes para afastar elefantes que invadem machambas e zonas habitadas.
Segundo relatos das vítimas, os fiscais foram inicialmente apresentados à comunidade como responsáveis por um programa de controlo e afugentamento de elefantes, problema recorrente sobretudo durante a época seca. No entanto, os moradores afirmam que, na prática, esse objectivo nunca foi cumprido.
“Os elefantes continuam a entrar todos os dias na aldeia e nas machambas. Isso acontece quase todos os anos, sobretudo na época seca, e ninguém faz nada para resolver”, contou um residente.
Em contrapartida, os denunciantes afirmam que os fiscais concentram-se na cobrança diária de valores a cidadãos que circulam para a mina. De acordo com os relatos, cada pessoa que passa de mota ou se desloca para a actividade mineira é obrigada a pagar cerca de 100 meticais, valor cobrado tanto na ida como no regresso.
“É muito dinheiro, porque há muito movimento. As pessoas vão e voltam todos os dias. Quem consegue algum dinheiro para comprar comida ou cadernos para os filhos, acaba por perder tudo nessas cobranças”, lamentou outro morador.
Além disso, há acusações de cobranças elevadas a camiões que transportam madeira, com valores que chegam a cerca de quatro mil meticais por viatura. Para a comunidade, a situação transformou-se num negócio à margem da lei, sem qualquer benefício visível para a população local.
Os moradores afirmam que as cobranças são feitas por duas equipas distintas: uma composta por agentes da fiscalização da fauna, identificados como polícia, e outra ligada directamente ao Parque Nacional das Quirimbas. Segundo os relatos, ambos os grupos actuam no mesmo local e realizam as cobranças.
“São duas equipas, mas os dois grupos cobram. O programa que vieram fazer aqui não está a ser cumprido. Só estão a explorar a população”, acusou um residente.
A comunidade diz viver num clima constante de medo e indignação, dividido entre a ameaça dos elefantes e a pressão económica das cobranças diárias. “A população está a chorar dia e noite. Em todos os lugares só se fala de elefantes e da cobrança da mina”, resumiu uma fonte local.
Até ao momento, não foi possível obter o pronunciamento das autoridades do Parque Nacional das Quirimbas nem dos serviços de fiscalização da fauna sobre as acusações. O caso levanta preocupações sobre alegados abusos de poder, exploração das comunidades e falhas graves na gestão do conflito entre humanos e fauna bravia.
A mina em referência teria sido invadida por um grupo de terroristas em Abril de 2025. Moz24h

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