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Ministro da Defesa em viagem relâmpago a Kigali para salvar cooperação militar

 

A deslocação relâmpago de Cristóvão Chume a Kigali continua a gerar perguntas dentro e fora dos corredores de poder em Maputo. O ministro da Defesa saiu de emergência quase ao cair da noite de 25 de Agosto num voo de Pemba para Kigali e regressou ainda na mesma madrugada. Oficialmente, tratou-se de uma visita de três dias. Mas, na prática, foi uma viagem expressa, reservada e envolta em silêncio.

Nos bastidores, o que se sabe é que Chume negociou a continuidade da presença das tropas ruandesas em Moçambique, no quadro das operações conjuntas em Cabo Delgado. Para além desse ponto, pouco mais transpirou sobre as conversações que decorreram em Kigali e não em Maputo. A decisão de manter um dossier tão sensível fora do país provocou algum desconforto entre generais da linha da frente.

“Não sabemos mais o que lá foi conversado. Mas os contratos já vêm desde Nyusi”, disse à Moz24h uma fonte militar sob anonimato, traduzindo a crescente tensão interna em torno da forma como o dossiê ruandês tem sido conduzido.

No discurso oficial, Chume afirmou que é essencial manter a cooperação militar com Ruanda para eliminar definitivamente os grupos terroristas islâmicos que atuam em Cabo Delgado. Destacou a coragem e o sacrifício das forças ruandesas e lembrou que as operações conjuntas permitiram recuperar zonas ocupadas por insurgentes, facilitando o regresso de milhares de deslocados.

Apesar desses avanços, o governante reconheceu que o terrorismo continua a ser uma ameaça regional e exige esforços coordenados. Após o encontro com o ministro da Defesa ruandês, Juvenal Marizamunda, sublinhou a necessidade de reforçar áreas como formação, partilha de informações e coordenação operacional.

Na prática, as tropas ruandesas permanecem em Cabo Delgado à luz de acordos bilaterais e do financiamento europeu que assegurou 40 milhões de dólares ao contingente de Kigali. Durante a deslocação, Chume homenageou ainda soldados mortos nas operações conjuntas, garantindo que a sua memória não será esquecida.

Fontes militares asseguram que a viagem também serviu de preparação para a próxima visita de Estado do Presidente Daniel Chapo ao Ruanda. Porém, o caráter súbito e noturno da deslocação deixou claro que as decisões estratégicas sobre a guerra em Cabo Delgado continuam a ser tomadas muito mais em Kigali do que em Maputo.

Enquanto isso, os insurgentes desfilam sua impunidade. As Forças de Defesa e Segurança, limitadas por uma logística precária, vão fazendo o que podem.
Na semana passada, uma execução teve lugar em Quissanga, mais um episódio que escancara a fragilidade institucional e o vazio operacional no terreno. Moz24h

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