Por Quinton Nicuete
Vários simpatizantes do partido Aliança Nacional para Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), na província de Nampula, afirmam ter deixado as suas casas nos últimos meses devido a alegadas perseguições e actos de intimidação atribuídos às autoridades locais e à Polícia, na sequência das manifestações pós-eleitorais do ano passado. Segundo a DW, os receios são particularmente fortes nos distritos de Liúpo e Eráti, onde os confrontos foram mais intensos.
O coordenador provincial do partido, Castro Niquina, disse à DW que se mantém um ambiente de medo entre os militantes que participaram nas mobilizações organizadas em protesto contra supostas irregularidades eleitorais. Recordou que, durante os distúrbios, foram feitas denúncias de mortes e execuções no posto administrativo de Namiroa, o que continua a impedir muitos apoiantes de regressar às suas comunidades de origem.
Um dos membros ouvidos pela DW, que pediu anonimato, descreveu a decisão de abandonar Liúpo com a família em março deste ano. Contou que se sentiu alvo de forte pressão e vigilância, afirmando que “não há segurança” para quem esteve ligado às manifestações. Segundo relatou, teme ser assassinado caso volte ao distrito.
Quando questionado sobre quem estaria a perseguir os apoiantes, explicou que, na sua perceção, agentes da Polícia e alguns secretários de bairro procuram militantes cujos rostos ficaram expostos durante os protestos, sob o argumento de que houve destruição de bens públicos e privados.
Outro militante, natural de Eráti, relatou à DW que também se viu forçado a sair do distrito e encontra-se agora acolhido na cidade de Nampula, deixando para trás a sua atividade comercial.
Paralelamente, o partido realizou eleições internas para a escolha dos coordenadores distritais, mas Liúpo e Eráti não foram incluídos na primeira fase. Castro Niquina diz estar a trabalhar para restabelecer o diálogo e afirmou que já contactou o administrador de Eráti, que mostrou abertura para uma reunião, embora ainda não tenha sido possível conciliar agendas.
O administrador de Eráti, Januário André, rejeitou a existência de perseguições políticas no distrito. Em declarações à DW, garantiu que a situação é estável e que há convivência pacífica entre diferentes forças partidárias. Acrescentou que jovens ligados ao ANAMOLA foram recentemente convidados a participar numa ação comunitária, reforçando que o distrito “é de todos”.
O administrador de Liúpo, César Nacuo, não respondeu às questões colocadas pela DW, apesar de várias tentativas de contacto. Alegou indisponibilidade, sem esclarecer se confirma ou desmente as acusações.
Também a Polícia da República de Moçambique nega qualquer perseguição. O chefe das Relações Públicas do Comando Provincial, Dércio Samuel, disse à DW que não existe registo de qualquer participação formal que sustente estas alegações e aconselhou os membros do partido a apresentarem queixas caso se sintam ameaçados. (Moz24h)
