Sociedade

Magistrados de Nampula suspeitos de desvio de droga apreendida

 

Por Quinton Nicuete

O desaparecimento de uma porção de estupefacientes apreendidos pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) está a levantar suspeitas de viciação de prova e desvio de substâncias por parte de magistrados do Ministério Público. As declarações contraditórias das autoridades intensificam a incerteza sobre a integridade do processo judicial.

A droga foi confiscada nos últimos três meses em Mossuril, Nacala-Porto, Memba e Ilha de Moçambique. Apesar de o SERNIC ter incinerado 183 quilos de estupefacientes, o porta-voz da instituição, Paulo Edmocingua, foi evasivo, afirmando que a verdade das alegações “não constitui verdade”, enquanto confirmava a existência de um processo para apurar o caso.

Essa ambiguidade alimenta a desconfiança, especialmente porque a alegada falta de prova compromete a situação de 18 arguidos detidos. A discrepância entre a quantidade apreendida e a incinerada prejudica a credibilidade do combate ao narcotráfico em Nampula.
Quebra da cadeia de custódia?

Em conferência de imprensa, tanto o SERNIC como o Ministério Público tentam tranquilizar a opinião pública, defendendo que os procedimentos de controlo e exames laboratoriais evitam a substituição da droga. No entanto, a falta de uma explicação transparente para o alegado desaparecimento levanta questões sérias. Se os mecanismos de controlo são eficazes, por que surgem denúncias de quebra da cadeia de custódia?

O incidente expõe fragilidades na gestão de provas do sistema judicial moçambicano. A opacidade deste caso compromete a confiança pública nas instituições de justiça e segurança, sugerindo que o combate ao crime organizado enfrenta obstáculos internos e não apenas externos. Moz24h

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