A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) disponibilizou 11 aeronaves para apoiar as operações de busca, salvamento e assistência humanitária às populações afectadas pelas cheias que assolam o sul e o centro do País. A intervenção insere-se no âmbito das acções de responsabilidade social da empresa e responde ao apelo lançado recentemente pelo Governo ao sector privado, segundo informou um comunicado oficial.
Segundo Tomás Matola, presidente do conselho de administração da HCB, além dos meios aéreos – constituídos por nove helicópteros e duas aeronaves ligeiras –, a empresa alocou recursos próprios para adquirir bens essenciais destinados às comunidades actualmente acolhidas em centros de acomodação temporária.
O apoio compreende 30 unidades móveis de saneamento, 100 tendas, 1500 colchões, 1500 cobertores, 1500 redes mosquiteiras, 10 000 quilogramas de arroz, 15 000 quilogramas de farinha, 1000 quilogramas de feijão, 500 quilogramas de sal grosso, 200 quilogramas de açúcar e 200 garrafas de cinco litros de óleo alimentar.
As aeronaves foram colocadas à disposição do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) por um período inicial de sete dias, com o objectivo de facilitar a deslocação de equipas de socorro, transporte de donativos e evacuação de pessoas isoladas pelas inundações.
As fortes chuvas que se fazem sentir desde 10 de Janeiro agravaram o cenário em diversas províncias, com particular incidência em Gaza e Maputo. De acordo com dados actualizados do INGD, o número de vítimas mortais na presente época chuvosa subiu para 122, estando ainda por localizar seis pessoas.
Pelo menos 682 060 cidadãos, equivalentes a 142 914 famílias, foram directamente afectados, sendo que mais de 16 000 habitações ficaram parcial ou totalmente destruídas.
As operações de resgate têm decorrido em condições meteorológicas adversas, com o apoio de aeronaves provenientes também da África do Sul. Em Gaza, o Governo revelou que cerca de 1200 pessoas, incluindo crianças, idosos e doentes, foram resgatadas após permanecerem isoladas em árvores e telhados de casas, utilizando helicópteros e pequenas embarcações.
Na província de Inhambane, as autoridades anunciaram a suspensão da distribuição de livros escolares, como forma de precaução face à instabilidade das vias de acesso. Em Maputo, a Estrada Nacional Número 1 (N1) e a Estrada Nacional Número 2 (N2) permanecem intransitáveis devido à subida do nível das águas.
A cerimónia de entrega oficial dos bens e do apoio logístico ao INGD teve lugar em Songo, contando com a presença da presidente do instituto, Luísa Meque, bem como de membros do Governo.
Durante a entrega, Tomás Matola apelou à mobilização de outras entidades públicas, privadas e da sociedade civil, no sentido de reforçar a resposta nacional à emergência humanitária, sublinhando que “a solidariedade com os mais afectados deve ser um compromisso colectivo.” (DE)
