Por Quinton Nicuete
Metuge, Cabo Delgado – O Vaticano lançou um alerta dramático sobre a indiferença da comunidade internacional diante da crise humanitária em Cabo Delgado, onde ataques armados continuam a destruir vidas, deslocar famílias e atacar comunidades religiosas. O secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin, visitou recentemente comunidades de reassentamento em Naminaue, distrito de Metuge, e descreveu o cenário como chocante e urgente.
Parolin afirmou a imprensa em Pemba, que a visita teve como objetivo levar solidariedade e esperança às populações afetadas pelo terrorismo. “Estamos aqui para dizer: não se perde a esperança, mesmo em meio ao sofrimento. Solidariedade, proximidade e esperança são a razão da nossa presença”, disse o cardeal.
Durante a visita, testemunhou de perto a gravidade das carências das famílias deslocadas, que vivem com falta de alimentos, medicamentos e assistência básica. “A Igreja faz o que pode para ajudar, mas é necessário que todos, autoridades, sociedade civil, instituições culturais e juvenis, se mobilizem para trazer paz e reconstruir a convivência”, afirmou.
O cardeal comentou também as críticas internacionais a líderes africanos por supostamente não protegerem comunidades cristãs. “Não é função minha acusar, mas todos os chefes de Estado têm responsabilidade de proteger os cidadãos. Cada país deve garantir convivência pacífica, respeito entre religiões e segurança real”, afirmou.
Parolin destacou o papel dos jovens na reconstrução da paz. “Os jovens são os construtores de um futuro melhor. Eles precisam de formação integral para assumir responsabilidades, promover o bem comum e liderar comunidades mais seguras”, frisou.
O secretário de Estado criticou a falta de atenção global à crise. “O mundo fala pouco sobre Cabo Delgado, assim como sobre o Sudão ou a República Democrática do Congo. É preciso que a comunidade internacional desperte e ofereça ajuda concreta. Cabo Delgado merece visibilidade, apoio e segurança imediata”, alertou.
A província continua a sofrer ataques contra civis, destruição de igrejas e deslocamentos massivos, com milhares de famílias vivendo em campos improvisados e sob constante ameaça. “Este é um chamado urgente: Cabo Delgado precisa de ação real. A paz e a segurança não podem esperar”, concluiu Parolin. Moz24h
