Sociedade

Deslocados em Ancuabe Denunciam Abandono e Clamam por Apoio Urgente

Foto: Estacio Valoi / Paquite/ Chegada de deslocados
Foto: Estacio Valoi / Paquite/ Chegada de deslocados

 

Por Quinton Nicuete

Nos centros de acolhimento de Cujupane, Nannona e Natove B, no distrito de Ancuabe, Cabo Delgado, deslocados vítimas do terrorismo enfrentam um novo desafio: a invisibilidade. O que antes parecia um alívio temporário agora se revela como um cenário de abandono, onde a assistência humanitária desaparece e a luta pela sobrevivência se torna diária.

“Já não recebemos ajuda como antes. Os alimentos acabaram e agora vivemos de esmolas ou do pouco que conseguimos produzir, quando nos deixam usar a terra”, lamenta João, um dos deslocados em Nannona.

A escassez de água agrava ainda mais a situação. Fontes de abastecimento são insuficientes, e a população deslocada, já debilitada, é forçada a percorrer longas distâncias para rios ou poços tradicionais em busca do mínimo necessário para sobreviver. “Temos de caminhar vários quilômetros para conseguir água. Não há poços suficientes aqui e os que existem secam rápido”, relata Maria, mãe de três filhos, acolhida em Natove B.

A precariedade reflete-se também no acesso à saúde, com deslocados sendo obrigados a caminhar entre cinco e dez quilômetros até Metoro ou Ancuabe-sede para conseguir atendimento médico um percurso muitas vezes impossível para os mais vulneráveis. “Doentes graves e idosos sofrem muito. Quando precisam de atendimento médico urgente, não há transporte. Ou vão a pé ou esperam, sem saber se vão sobreviver”, denuncia um líder comunitário de Cujupane.

A esperança de um recomeço digno, com acesso à educação e condições básicas de abrigo, desmorona diante da falta de tendas e infraestrutura mínima nos centros de acolhimento. O isolamento e a incerteza fortalecem um sentimento de desesperança entre os deslocados, que agora apelam por uma resposta urgente e coordenada do governo e de seus parceiros de cooperação.

“Já vimos promessas antes, mas a ajuda não chega. O governo precisa olhar para nós e perceber que estamos aqui, esperando, sofrendo”, afirma um deslocado que prefere não se identificar.

“Não queremos apenas sobreviver. Queremos viver com dignidade”, dizem os deslocados, enquanto aguardam um desfecho que até agora parece distante.

A comunidade deslocada agora aguarda medidas concretas para mitigar o sofrimento que enfrentam nos centros de acolhimento em Ancuabe.

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