Fundada no âmbito de um programa de incubação ligado ao sector agro-alimentar, a Agro-Sol Mozambique aposta num kit de irrigação solar equipado com sensores de humidade do solo e monitorização remota através de uma aplicação móvel. “Pensámos em trazer uma solução sustentável e de fácil acesso aos produtores, reduzindo a dependência do combustível e da energia convencional”, explicou Gerson José Cumbani, co-fundador da startup.
Em entrevista ao Diário Económico, o responsável explicou que a ideia surgiu durante visitas a campos de produção na província de Gaza, sul de Moçambique, onde o grupo identificou produtores que utilizavam sistemas de irrigação movidos a combustível em zonas sem acesso à rede eléctrica.
“Durante uma das nossas visitas, observámos diversos produtores locais dedicados ao cultivo. O que mais nos chamou a atenção foi o facto de utilizarem sistemas de irrigação movidos a combustível. Como estas plantações se encontravam em zonas completamente isoladas e sem acesso à rede eléctrica, percebemos a urgência de criar uma alternativa. Foi a partir deste cenário que concebemos uma solução para mitigar os problemas identificados no mercado, dando origem à Agro-Sol Mozambique”, sublinhou.
Redução de custos e melhoria na produtividade
De acordo com o responsável, a solução proposta pela Agro-Sol Mozambique integra painéis solares, sensores de monitorização e uma aplicação móvel capaz de fornecer dados em tempo real sobre o estado das culturas e o nível de humidade do solo. Através do sistema, os produtores poderão controlar remotamente o funcionamento da irrigação e acompanhar informações relativas às condições climáticas e à humidade da terra.
“Estes sensores fornecem dados precisos sobre o nível ideal de humidade do solo, as condições climáticas e o estado da própria cultura. Toda esta informação é enviada directamente para o smartphone do produtor. Além disso, o sistema conta com uma funcionalidade de controlo remoto: através de um simples clique na aplicação, o utilizador pode verificar o estado do sistema e ligá-lo ou desligá-lo instantaneamente”, referiu o co-fundador.
Gerson José Cumbani acrescentou ainda que “o objectivo é permitir uma gestão mais eficiente da água e reduzir os custos operacionais associados à agricultura, diminuindo igualmente a dependência de combustíveis fósseis, o que contribui para a redução da poluição ambiental e incentiva práticas agrícolas mais sustentáveis”.
“ O plano de expansão prevê a cobertura inicial da zona Sul, com posterior alargamento às zonas Centro e Norte de Moçambique”
Gerson José Cumbani, co-fundador da startup
Actualmente, a Agro-Sol Mozambique desenvolve as suas actividades em Maputo. Esta nova etapa surge após uma “interrupção estratégica”, motivada por dificuldades na aquisição e importação de equipamentos tecnológicos, na captação de parceiros e investidores, e no acesso a linhas de financiamento.
“Estamos a implementar a solução no bairro de Muhalaze, na província de Maputo. Numa primeira fase, delimitámos uma área piloto para a realização da actividade. Assim que reunirmos as condições financeiras necessárias, expandiremos a iniciativa para as regiões planeadas. O plano de expansão prevê a cobertura inicial da zona Sul, com posterior alargamento às zonas Centro e Norte de Moçambique”, sublinhou, acrescentando que o financiamento constitui um dos principais desafios para a expansão do projecto.
Tecnologia e capacitação no campo
Além da componente tecnológica, a startup acredita que será necessário investir na capacitação dos agricultores para facilitar o uso da solução digital. Apesar de reconhecerem os desafios ligados à literacia digital no campo, os responsáveis defendem que o sistema foi concebido para ser “simples e intuitivo”. “Mesmo produtores com um nível básico de literacia digital poderão usar o sistema. Pretendemos também realizar capacitações práticas para facilitar a adaptação”, referiu.

A Agro-Sol Mozambique surgiu no âmbito de uma iniciativa de incubação promovida pelo Programa de Incubação de Negócios Agro-alimentares (PROINAGRO), em parceria com a Escola Superior de Negócios e Empreendedorismo de Chibuto e o Centro de Excelência da Universidade Eduardo Mondlane (UEM). Durante o processo, os fundadores receberam formação em empreendedorismo, inovação e gestão de negócios, tendo ainda participado em visitas de campo e sessões práticas com empresas do sector.
Para os próximos anos, a startup pretende expandir a solução para outras regiões do País e contribuir para o desenvolvimento sustentável da agricultura nacional. “Queremos melhorar a vida dos agricultores, aumentar a produtividade e contribuir para o desenvolvimento económico e sustentável de Moçambique”, concluiu o co-fundador.

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