O Governo pretende reorientar a política económica para reduzir a forte dependência da economia moçambicana em relação à indústria extractiva, apostando no desenvolvimento de cadeias de valor e no fortalecimento de sectores produtivos com maior impacto multiplicador.
De acordo com a Lusa, a intenção consta do relatório de execução do Orçamento do Estado de 2025, elaborado pelo Ministério das Finanças, que alerta para as fragilidades estruturais da economia nacional e para a necessidade de adoptar medidas económicas “robustas e consistentes” capazes de dinamizar os principais sectores produtivos.
De acordo com o documento, a economia tem registado uma tendência recente de crescimento relativamente baixo, o que exige uma orientação de política económica “mais prudente e selectiva”, capaz de enfrentar debilidades estruturais e evitar a repetição de constrangimentos verificados nos últimos anos.
O relatório defende que devem ser desencorajadas políticas que aprofundem a concentração do crescimento nos sectores primários, em particular na indústria extractiva, quando estas não são acompanhadas pelo desenvolvimento de cadeias de valor capazes de gerar maior valor acrescentado na economia.
No mesmo sentido, o documento considera que a expansão da despesa pública corrente sem impacto directo na capacidade produtiva, bem como a dispersão do investimento público em projectos com efeitos económicos limitados, mostraram-se insuficientes para travar a contracção do Produto Interno Bruto (PIB).
A trajectória negativa ao longo de 2025 esteve associada, em grande medida, às consequências económicas das manifestações violentas que se seguiram às eleições gerais de 9 de Outubro de 2024. Durante mais de cinco meses, os protestos provocaram mais de 400 mortes e resultaram na destruição de empresas e infra-estruturas públicas em diversas regiões do País.
“Entre os sectores considerados prioritários destacam-se a indústria transformadora, a energia, a construção, a agricultura e os serviços de logística, áreas com forte efeito multiplicador sobre a economia.”
Orçamento do Estado de 2025
Segundo o INE, no terceiro trimestre de 2025, o PIB a preços de mercado registou uma queda de 0,85% em comparação com o mesmo período de 2024. Também no primeiro e no segundo trimestres de 2025 foram observadas contracções, de 3,92% e 0,94%, respectivamente, tendência que já se havia iniciado no último trimestre de 2024, quando a economia recuou 5,68%.
Apesar desta evolução, a estrutura económica do País continua fortemente dependente da exploração de carvão e gás natural, actividades que dominam as exportações nacionais, de acordo com dados anteriormente divulgados pelo Banco de Moçambique.
O relatório alerta igualmente que políticas que comprometam a estabilidade macroeconómica — através de desequilíbrios fiscais, pressões inflacionárias ou instabilidade cambial — tendem a agravar a fragilidade da procura interna e a contracção do investimento privado. Esta situação, refere o documento, ficou evidenciada no fraco desempenho de vários ramos do sector terciário ao longo de 2025.
Em contrapartida, os dados de equilíbrio económico apontam para um alinhamento mais eficaz das estratégias e políticas públicas com o objectivo de recuperar a base produtiva. Entre os sectores considerados prioritários destacam-se a indústria transformadora, a energia, a construção, a agricultura e os serviços de logística, áreas com forte efeito multiplicador sobre a economia.
No domínio do investimento público, o Ministério das Finanças defende uma abordagem mais selectiva e orientada para a produtividade, priorizando infra-estruturas económicas críticas e intervenções com elevado impacto multiplicador. O objectivo é estimular o emprego jovem, promover o auto-emprego e reforçar a produção interna.
O documento sublinha ainda a importância de reforçar os instrumentos de apoio ao sector privado, em particular às micro, pequenas e médias empresas (MPME), consideradas essenciais para revitalizar o mercado interno e dinamizar o comércio, incluindo no sector informal. (DE)

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