Economia

TotalEnergies pede mais dez anos e aumento orçamental para o megaprojeto de gás natural em Cabo Delgado

Por Quinton Nicuete

 

 

A petrolífera francesa TotalEnergies comunicou ao Governo de Moçambique que os custos do seu megaprojeto de gás natural liquefeito (GNL) em Afungi, Cabo Delgado, aumentaram em 4,5 mil milhões de dólares durante os quatro anos de paralisação provocados pela insegurança na região. Segundo a Reuters, a empresa solicita igualmente uma extensão de dez anos no contrato de produção para compensar o impacto económico do longo período de suspensão.

O projeto, inicialmente orçado em cerca de 20 mil milhões de dólares, foi interrompido em 2021 após um ataque de grupos insurgentes à vila de Palma, que forçou a retirada de trabalhadores e o abandono temporário do estaleiro. No sábado, a TotalEnergies confirmou à Reuters que decidiu levantar a força maior, permitindo retomar gradualmente as obras, embora a continuação dependa ainda da aprovação de um orçamento e cronograma atualizados pelo Conselho de Ministros moçambicano.

“A aprovação deste orçamento revisto deverá cobrir os custos adicionais incorridos pelo projeto devido à força maior, que totalizam 4,5 mil milhões de dólares”, referiu o presidente-executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, numa carta dirigida ao Presidente Daniel Chapo, datada de 24 de outubro e citada pela Reuters.

A mesma fonte adianta que o prolongado período de inatividade adiou o início previsto da produção de gás, agora estimado apenas para a primeira metade de 2029, quando se espera a exportação do primeiro carregamento de GNL, uma data significativamente posterior à meta inicial de julho de 2024.

O regulador moçambicano do setor petrolífero está, segundo a Reuters, a preparar a sua própria avaliação dos custos adicionais, sem indicar quando será concluída.

Apesar do levantamento da força maior, a TotalEnergies planeia retomar as obras em “modo de contenção”, mantendo o acesso ao local apenas por via aérea ou marítima, devido à persistência de ataques esporádicos em Cabo Delgado.

Atualmente, o projeto Mozambique LNG encontra-se 40% concluído e conta com a participação da TotalEnergies (26,5%), Mitsui do Japão (20%), ENH de Moçambique (15%), Bharat Petroleum (10%), Oil India (10%), ONGC Videsh (10%) e PTTEP da Tailândia (8,5%).

Nas proximidades, a ExxonMobil prepara outro projeto de exploração de gás natural na mesma bacia.

Segundo analistas citados pela agência, o megaprojeto de Afungi é considerado um pilar estratégico para o futuro económico de Moçambique, podendo transformar o país num dos maiores exportadores de GNL de África e gerar milhares de empregos diretos e indiretos, além de importantes receitas fiscais para o Estado. (Moz24h)

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