Por Quinton Nicuete
Pemba, Cabo Delgado – A Polícia da República de Moçambique (PRM) desmantelou um grupo criminoso composto por cinco jovens acusados de simularem ataques terroristas para assaltar comunidades rurais no distrito de Metuge, numa manobra que explorava o medo instalado pela violência armada em Cabo Delgado.
De acordo com a PRM, os indivíduos faziam-se passar por membros de grupos insurgentes, cobrindo os rostos e empunhando instrumentos cortantes, criando um cenário de pânico generalizado sempre que invadiam as aldeias. O caso mais recente ocorreu na aldeia de Impire, situada ao longo da Estrada Nacional Número Um (EN1), uma zona de intensa circulação de pessoas e bens.
Durante a incursão, os suspeitos gritavam palavras associadas a ataques extremistas, como “Allahu Akbar”, levando os residentes a abandonarem as suas casas por receio de um ataque real. Aproveitando-se do vazio momentâneo, o grupo saqueava valores monetários, telemóveis e outros bens domésticos.
Segundo as autoridades, os detidos têm idades compreendidas entre os 20 e 21 anos e actuavam de forma coordenada, escolhendo alvos vulneráveis e explorando o trauma colectivo deixado pelos ataques armados na província.
Em declarações à imprensa, na sexta-feira passada, a polícia revelou que os cinco cidadãos negam qualquer ligação a grupos terroristas. Os suspeitos afirmaram que a encenação de ataques insurgentes e o uso de máscaras tinham como objectivo apenas esconder as suas identidades e facilitar a prática dos roubos, descartando motivações ideológicas ou vínculos extremistas.
Apesar dessa versão, a PRM reconhece que o modo de actuação levanta sérias preocupações, sobretudo numa região ainda marcada pela instabilidade e deslocamentos forçados.
As autoridades sublinham que, até ao momento, não há indícios concretos que confirmem a ligação dos detidos a células terroristas activas em Cabo Delgado. Ainda assim, dada a gravidade da simulação e o potencial de causar pânico social, o processo foi remetido às unidades especializadas das Forças de Defesa e Segurança para uma investigação mais aprofundada.
A porta-voz da PRM em Cabo Delgado, Eugénia Nhamussua, acrescentou que o grupo não é desconhecido das autoridades. Segundo a oficial, os suspeitos acumulam várias passagens pelas subunidades policiais, tanto na cidade de Pemba como no distrito de Metuge, estando envolvidos anteriormente em crimes de diversa natureza.
A polícia considera que este tipo de crime agrava o sentimento de insegurança nas comunidades e apela à vigilância comunitária, reforçando que qualquer movimento suspeito deve ser comunicado de imediato às autoridades. Moz24h

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