Por Quinton Nicuete
Pemba, Cabo Delgado – Na sua inauguração solene, o Presidente Filipe Nyusi garantiu que a ampliação e reabilitação do sistema de abastecimento de água na cidade de Pemba colocaria fim ao sofrimento da população. Anunciou, confiante, que o tempo de fornecimento passaria de meras 6 para 16 horas diárias. Mas a realidade, um ano depois, é amarga: a sede continua, a água não chega, e as promessas evaporaram.

O que deveria ser uma solução histórica tornou-se uma frustração generalizada. O sistema reabilitado, que custou milhões de meticais aos cofres públicos, parece ter sido apenas um projeto de fachada. Em bairros como Cariacó, Ingonane, Natite, Alto-Gingone, Muxara, Metula e Mahate, a população vive um inferno diário: torneiras secas, contadores inexistentes e faturas com valores exorbitantes.
“Não temos água, não temos contador, mas todos os meses somos obrigados a pagar como se tivéssemos usado litros e mais litros”, denuncia João, morador de Mahate. A situação é tão absurda que há famílias que passam meses sem uma única gota de água, mas continuam a ser cobradas como se tivessem consumo normal e regular.
Mais chocante ainda é o facto de que, em algumas zonas, o sistema de faturação é feito sem qualquer equipamento digital como contador. Ao visitar algumas casas sem leitores de contadores instalado aliás até que algumas tem mas tudo danificado. Um técnico do fipag, encontramos numa das residências, que se recusou a identificar-se, limitou-se a pedir que não fossem tiradas fotografias e evitou dar qualquer explicação técnica sobre como se calcula o consumo mensal de água mesmo sem contador operacional e sem sem água.
A pergunta que não se cala entre os moradores é simples e dolorosa: como é que se emite uma fatura sem saber quanto cada família consumiu? A resposta, infelizmente, parece ser negligência e má gestão.
A falta de água em Pemba não é apenas um problema logístico e antigo combatente que merece ser galardoado. É uma violação clara do direito à saúde, à dignidade e à vida. Sem água não se cozinha, não se lava, não se cuida. Numa cidade que enfrenta surtos cíclicos de cólera e outras doenças hídricas, negar o acesso ao precioso líquido é condenar o povo ao sofrimento.

Os cidadãos exigem mais do que discursos bonitos. Querem água real, saindo das torneiras. Querem faturas justas, baseadas em consumo real, e não em estimativas fantasiosas. Querem que o FIPAG deixe de agir como uma empresa que fatura sonhos e comece a servir como uma instituição pública responsável.
Pemba já esperou demais. E não há sistema reabilitado, nem promessa presidencial, que justifique tamanha falta de respeito com quem mais precisa. (Moz24h)

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