Sociedade

População regressa após ataque que fez 2.700 deslocados em Niassa

A população afetada pelo ataque insurgente que deslocou pelo menos 2.700 pessoas e destruiu um acampamento turístico associado ao treinador luso-moçambicano Carlos Queiroz, na província moçambicana de Niassa, começou a regressar às suas casas, foi hoje anunciado.

© Lusa

“Regista-se um ambiente calmo, a população de Marangira regressou às suas casas”, afirmou hoje o secretário de Estado no Niassa, Silva Livone, durante as celebrações do Dia da Vitória.

Em causa está o ataque de quinta-feira à Coutada de Marangira, na Reserva Especial do Niassa, durante o qual insurgentes destruíram um acampamento turístico da Mozambique Wild Adventures (MWA), associado a Carlos Queiroz, além de outras infraestruturas locais, provocando pelo menos um morto.

O dirigente apelou, contudo, ao reforço da vigilância comunitária para evitar novas infiltrações de grupos armados.

“Queríamos pedir e apelar a toda a nossa população para continuarmos a agudizar a vigilância, porque muitas das vezes os `modus operandi´ dos terroristas [fazem com que] eles cheguem nas nossas aldeias e enganem as nossas irmãs, os nossos irmãos e os nossos pais para poder deixá-los entrar na aldeia”, declarou.

No sábado, Silva Livone indicou que o número de deslocados provocado pelo ataque à localidade de Marangira tinha subido para cerca de 2.700 pessoas, acima da estimativa inicial de 2.000. Também no sábado, o comando provincial da Polícia da República de Moçambique confirmou o rapto de 11 pessoas durante a incursão armada.

As autoridades moçambicanas apontam que os atacantes terão partido da vizinha província de Cabo Delgado, rica em gás e epicentro da insurgência armada que afeta o norte do país desde 2017.

Também hoje, a governadora de Niassa, Judite Massengele, manifestou reconhecimento pelo trabalho das Forças de Defesa e Segurança no combate aos grupos armados naquela província.

“Queremos endereçar às Forças de Defesa e Segurança o nosso reconhecimento pelo sacrifício que diariamente fazem em defesa da soberania, da integridade territorial e da segurança das nossas populações”, afirmou.

No sábado, os Estados Unidos alertaram os seus cidadãos para evitarem viagens à província moçambicana de Niassa, após ataque insurgente ao acampamento turístico associado ao ex-treinador luso-moçambicano.

Em alertas das embaixadas norte-americanas em Moçambique e na África do Sul, a que a Lusa teve acesso e que se mantêm em vigor desde o ataque de quinta-feira, Washington refere estar ciente da incursão a estância de caça, na fronteira entre as províncias de Niassa e Cabo Delgado, no norte de Moçambique, acrescentando que as Forças Armadas de Moçambique decorrem operações na área.

Os avisos recomendam por isso aos cidadãos dos EUA que evitem a zona fronteiriça entre Niassa e Cabo Delgado e que “não viajem para a Reserva Especial do Niassa por qualquer motivo”. Na sequência do ataque, referem ainda que três turistas norte-americanos foram evacuados da área.

Desde 2017, a província de Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e mais de 1,2 milhão de deslocados, tendo registado desde 2025 incursões esporádicas para as províncias vizinhas de Niassa e Nampula.

Dados divulgados recentemente pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) indicam que a violência armada em Cabo Delgado provocou 1.401 deslocados em agosto e que os incidentes de conflito aumentaram 10% no primeiro semestre deste ano face ao período homólogo. (NM)

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