Por Quinton Nicuete
A circulação na Estrada Nacional Número 380, no troço Macomia–Oasse, em Cabo Delgado, continua completamente paralisada devido à ausência de escolta militar há dois dias consecutivos, deixando dezenas de passageiros e condutores retidos na vila de Macomia.
O bloqueio da circulação iniciou após o ataque terrorista registado, na sexta-feira, no troço Chitunda–Xitaxi. Desde então, nenhum comboio rodoviário voltou a avançar sob proteção militar, apesar da pressão crescente dos utentes.
No terminal rodoviário de Macomia, o cenário é de tensão, cansaço e desespero. Passageiros dormem nas viaturas, improvisam refeições e enfrentam dificuldades para manter contacto com familiares. Muitos já esgotaram o dinheiro que traziam para a viagem.
Os condutores falam de prejuízos sérios. Há viaturas carregadas com produtos alimentares que começam a deteriorar-se, enquanto os motoristas acumulam perdas diárias sem qualquer compensação.
Apesar da vontade de seguir viagem, o medo impede qualquer avanço sem escolta. A memória recente dos ataques mantém os passageiros em estado permanente de alerta.
Até ao momento, as autoridades ainda não se pronunciaram publicamente sobre a interrupção da escolta nem indicaram quando a proteção será retomada.
A EN380 volta assim a ser sinónimo de incerteza, medo e abandono, numa província onde a normalidade continua refém do terrorismo. Moz24h
