No ventre da terra, o mar a cantar,
Mil vozes dançam, começam a ecoar,
Do norte ao sul, em línguas ancestrais,
Canta a alma, do povo e seus ideais.
Makhuwa, Sena, Bitonga, Changana,
Cada palavra, uma chama que emana,
Histórias de rios, savanas e mar,
Segredos antigos que o tempo não vai calar.
Veio o vento branco, o idioma estrangeiro,
Trazendo palavras de um mundo inteiro,
Mas as línguas do povo, fortes a lutar,
Nasceram em canto, pra nunca silenciar.
O português une, o bantu abraça,
Um bolo de vozes, a terra enlaça,
No fogo da luta, no brilho do sol,
Ecoa a esperança, como um arrebol.
Moçambique, terra de cor e som,
Onde a língua é vida, onde o povo é dom,
No peito da história, um canto profundo.
Um hino eterno que abraça o mundo.
Ismael Miquidade
