Cultura

PALHOTA QUE QUER FLORIR*

Hamburgo em húmido derretido,
acorda pagão, feitiço descomprotido.
Última missanga que rebolou no leito,
ou sorriso que cobra em silêncio seu apreço?

Não teme a mulher da noite,
noiva sem grinalda, abuso açoite.
Volta ao chão, decide: almofada menor,
sem favor — descanso, atenção, frágil húmor.

No pátio austral, canoa e palmeira,
acácias e txovas, notícias turvas na feira.
Sequestro, morte — ladrões fora,
justiça travestita, sombra que devora.

Respira fundo, fecha, apaga a retina;
a mente pergunta: até quando a ruína?
A palhota só quer florir no justo,
sobre o curso recto, sob o chão robusto.

Azagaia na lança,
entre barro firme e nuvens errantes,
o futuro pulsa em rios constantes.

*Ismael Miquidade, in “Cadernos de Poesia — Faísca no Chão”

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