Opiniao

País de take away

Por Edwin Hounnou

Moçambique está empobrecido por estar sujeito a políticas erradas que travam o seu desenvolvimento e do seu povo. Nós temos mais recursos que vários países do primeiro mundo, mas nós falta a capacidade técnica. Não é por falta de recursos que passamos fome. Nós escancaramos as portas para nos roubarem.

Apesar de tantos recursos que possuímos, o governo anda de mão estendida a pedir esmola e empréstimos que nos sufocam. Existe uma razão muito profunda que nos faz passar de pobres, atrasados e subdesenvolvidos. Não temos políticas consistentes de desenvolvimento socioeconómico.

Continuamos a produzir nos mesmos moldes que faziam os nossos bisavós, apesar da existência de uma tecnologia avançada. Temos 36 milhões de terra arável e mais de 60 rios com curso de água permanente, mas passamos fome. A indústria que o país herdou depois da independência, foi destruída, por má gestão e radicalismos.

A indústria metalomecânica, têxtil e de calçado foi toda destruída. Não produzimos os alimentos que precisamos. Para nos cobrirmos da nudez importamos roupa velha e remetemos caixas de sapatos malcheirosos para não andarmos descalços. Nem os corredores de desenvolvimento nos servem para alguma coisa.

O nosso carvão mineral, só vemos poeira sobre as nossas cidades e casas rachadas devido às explosões de dinamites. Não há retorno em vista. Os nossos diamantes são disputados em praças internacionais, mas não trazem nenhuma mais-valia para o país.

Indivíduos de diversos países chegam para “levarem” o nosso ouro e diamantes em sacos. Ficamos com buracos e águas poluídas dos rios, tornando-as inapropriadas para o consumo humano nem para agricultura nem para o abeberamento de gado.

Os governos que chegaram nunca foram capazes de impor regras na exploração dos nossos recursos. Torna-se difícil quando no negócio dos recursos naturais está lá gente do poder. Não se trata de “limpar” os garimpeiros, mas disciplinar a exploração e venda. As turbinas hidroeléctricas ficam entupidas.

Que o comprador dos nossos recursos seja, apenas, o Estado, através do Banco Central e mais ninguém se deve meter na comercialização dos nossos recursos naturais. Quem põe o guiso ao gato? – Todos os decisores têm interesses privados no negócio de recursos, por isso, a carruagem não avança!

A continuar como as coisas estão, os diamantes de Namanhimbire, o gás natural do Rovuma, o grafite de Balama, o ouro de Manica continuarão a enriquecer outros bolsos e a engordar outras contas enquanto o povo moçambicano continua a minguar de fome e pobreza.

O gás natural de Panda/Temane, depois de cerca de 22 anos exploração, está no fim sem que tenha trazido qualquer desenvolvimento ao país nem às populações circunvizinhas do projecto. Vai ser o mesmo com todos os recursos que o país possui – enriquece outros países e não a Moçambique. A culpa é de quem nos governa o país.

Em Panda/Temane, construíram um gasoduto para bombear todo o gás para África do Sul. O que ganhamos e quanto ganhamos? No que diz respeito ao gás natural do Rovuma, as coisas se repetem : navios tanque levam tudo para fora do país e vamos nos admirar quando nos disserem que o gás acabou.

Muitos levarão as mãos à cabeça de admiração por termos tido tantos recursos naturais e não termos podido alavancar a nossa economia. Nenhuma indústria de transformação está desenhada para que os nossos recursos sejam transformados por nós. Estamos sendo amaldiçoados por quem nos governa.

Quanto às nossas madeiras, tudo se repete. Empresas chinesas estão associadas às elites do partido governamental que estão a devastar as nossas florestas, provocando problemas ambientais graves. Exportam a madeira em bruto. Ninguém impõe ordem na casa.

A corrupção virou prática comum na administração pública e pouco se faz para extirpar o câncer. As dívidas ocultas que nos trespassaram o coração, surgem mais “siútas” a aumentarem a ferida. Quem está por detrás dessa roubalheira? – É o partido Frelimo, o nosso feiticeiro. (Moz24h)

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