O político moçambicano Venâncio Mondlane denunciou hoje o assassinato de 55 apoiantes do seu projeto político, e o registo de 436 casos de “violência grave”, indicando que é resultado de lutar pela “verdade eleitoral”.
© Lusa
“Este projeto hoje, aqui como Anamola, temos 436 casos de violência grave, dos quais, até este ano, no primeiro trimestre deste ano tivemos mais quatro casos, e neste momento totalizam 55 irmãos nossos deste projeto que perderam a vida, não de morte natural, assassinados. Temos 55 mártires desta nossa luta, entre os quais o primeiro mártir Elvino Dias”, denunciou Venâncio Mondlane.
O ex-candidato presidencial falava em Chimoio, na província de Manica, centro de Moçambique, onde dirige a posse de coordenadores políticos provinciais do seu partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola).
“Nós viemos de uma luta muito sangrenta. Só aqui no nosso projeto político temos registados 436 casos de violência grave, não estou a falar de pequenos ferimentos, estou a falar de violência grave”, declarou Mondlane, indicando que todos os casos foram denunciados junto do Ministério Público e do Ministério do Interior, com conhecimento das organizações dos direitos humanos, nacionais e internacionais, e organizações da sociedade civil.
Para o político, a fundação do partido Anamola, o qual é presidente interino, assenta numa história de um partido “sem armas, que usa palavras”, indicando que “o único erro” que cometeu foi “pregar a verdade e de exigir a verdade eleitoral”.
“É por isso que o nosso próprio hino do partido tem um verso que é extremamente forte, que diz que fomos combatidos antes de existir. Isto é extremamente forte, já viu uma coisa que não existe e foi combatida? Nunca existiu isso na história do nosso país (…) Nós não existíamos e já estávamos a ser combatidos”, disse o ex-candidato presidencial.
Moçambique viveu cerca de cinco meses de protestos e agitação social após as eleições, que eclodiram a partir de Maputo, em 21 de outubro de 2024, dois dias após o duplo homicídio do advogado Elvino Dias e de Paulo Guambe, apoiantes de Mondlane, que na altura era apoiado pelo partido Podemos.
Daniel Chapo, que tomou posse como quinto Presidente de Moçambique em janeiro de 2025, e Mondlane reuniram-se pela primeira vez desde as eleições, em 23 de março desse ano. No dia seguinte, o ex-candidato presidencial apelou ao cessar da violência, não se registando casos de agitação social associados à contestação eleitoral desde então.
Na sequência, em julho Mondlane foi acusado pelo Ministério Público (MP) de cinco crimes, no âmbito das manifestações, incluindo incitamento à desobediência coletiva e instigação ao terrorismo, que o próprio nega.
O MP imputa a Venâncio Mondlane a “autoria material e moral, em concurso real de infrações”, dos crimes de apologia pública ao crime, incitamento à desobediência coletiva, instigação pública a um crime, instigação ao terrorismo e incitamento ao terrorismo.
Em 30 de abril do ano passado, o Procurador-Geral da República de Moçambique, Américo Letela, disse no parlamento que o caso de apoiantes de Venâncio Mondlane mortos a tiro em Maputo remete a “muitas linhas de investigação”.
“No caso em apreço, há muitas especulações sobre as motivações deste crime, entretanto, cabe à investigação explorar todas as linhas e determinar a que conduza a busca da verdade material (…) Os elementos de que dispomos remetem-nos para a necessidade de conjugar todas as linhas de investigação”, disse o Procurador-Geral, Américo Letela.

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